O Governo Regional dos Açores vai abrir candidaturas para a reconversão de explorações de bovinocultura de leite para bovinocultura de carne nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, numa medida que visa reequilibrar o setor e criar alternativas de rentabilidade para os agricultores.
De acordo com nota de imprensa divulgada ontem, quinta-feira, dia 5 de fevereiro, pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, a decisão surge na sequência de uma proposta apresentada pela Federação Agrícola dos Açores e insere-se na estratégia do Governo Regional para garantir a sustentabilidade da fileira do leite.
“Iremos abrir um período de candidaturas para a reconversão de explorações de bovinocultura de leite para a bovinocultura de carne”, anunciou o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, citado na referida nota de imprensa. A medida será aplicada às ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa.
O governante defende que a produção de leite de bovino na Região deve seguir um caminho de reconhecimento assente na sua excelência ambiental, económica, social e alimentar, sublinhando que esta reconversão constitui “um passo necessário” para assegurar a sustentabilidade do setor e salvaguardar o mérito dos produtores face aos atuais desafios económicos.
Segundo António Ventura, os dados de 2025 indicam uma melhoria do conteúdo nutricional do leite produzido nos Açores em relação ao ano anterior, apresentando níveis mais elevados de proteína e gordura, considerados essenciais tanto para a alimentação humana como para a transformação industrial. “Consideramos que o nosso leite e os nossos lacticínios são um valor para a humanidade”, afirmou.
O Secretário Regional acrescentou que “trata-se de um valor nutricional, geracional e de sustentabilidade, fruto das nossas pastagens que desempenham um papel crucial na retenção de carbono”, reforçando a importância ambiental do modelo produtivo regional.
Apesar da evolução positiva ao nível da qualidade, António Ventura lamenta, segundo a nota de imprensa da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, que este esforço dos produtores não esteja a ser devidamente reconhecido pela indústria de laticínios. O governante classificou como injustificada a recente descida do preço pago ao produtor, defendendo que a mesma não pode ser explicada apenas pelas leis do mercado.
Entre os fatores apontados para a desvalorização da matéria-prima regional está a excessiva produção de leite em pó. Em 2024, os Açores produziram 627 mil toneladas de leite, das quais resultaram 20.300 toneladas de leite em pó. Em comparação, o continente português, com uma produção total de 1,2 milhões de toneladas, produziu apenas 12.900 toneladas deste produto.
Neste contexto, a abertura de candidaturas para a conversão de leite para carne é apresentada pelo Governo Regional como uma resposta estrutural para ajustar a produção, valorizar os agricultores e promover um maior equilíbrio no setor agropecuário dos Açores.
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