
O Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, acompanhou a visita de monitorização da Comissão Europeia, através da CINEA, às áreas de intervenção do projeto LIFE IP CLIMAZ na ilha Terceira, entre 28 e 30 de janeiro, destacando o avanço das ações de adaptação às alterações climáticas nos Açores.
De acordo com nota de imprensa da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, divulgada na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, a visita incidiu sobre várias áreas de intervenção do projeto LIFE IP CLIMAZ, considerado uma peça-chave na operacionalização do Programa Regional para as Alterações Climáticas.
O projeto, coordenado pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, dispõe de uma dotação de cerca de 20 milhões de euros, cofinanciados em 60% pela União Europeia, com execução prevista entre 2021 e 2030. Envolve, como beneficiários associados, várias direções regionais, as Câmaras Municipais da Horta e de Vila Franca do Campo, a EDA e a Cooperativa União Agrícola.
No âmbito da visita às ribeiras intervencionadas na ilha Terceira, Alonso Miguel revelou que “o projeto já concretizou um vasto conjunto de ações na Grota das 8, na freguesia de Santa Bárbara, e nas ribeiras do Testo e do Tapete, na freguesia do Porto Judeu”, centradas na melhoria da resiliência ecológica e hidráulica e na promoção de soluções baseadas na natureza, com vista à redução da vulnerabilidade a cheias.
Segundo o governante, os trabalhos incluíram a remoção e controlo de espécies invasoras, a plantação de espécies endémicas, a requalificação de leitos e margens e a implementação de medidas preventivas de gestão do território. “Na ribeira do Testo foi instalada uma vedação numa extensão de cerca de 650 metros, com o objetivo de impedir o acesso de gado e favorecer a recuperação ecológica. Na Grota das 8 foram aplicadas infraestruturas de engenharia natural destinadas à estabilização das margens e à redução dos processos erosivos”, acrescentou.
Estão também previstas novas intervenções na Terceira, designadamente na ribeira da Agualva, na ribeira de Santo Antão – Casa da Ribeira, na ribeira de São Bento – Grota dos Carlinhos e na ribeira das 12, reforçando, segundo Alonso Miguel, “uma abordagem preventiva e integrada na gestão sustentável dos recursos hídricos”.
No conjunto do arquipélago, o LIFE IP CLIMAZ intervém em 18 ribeiras, distribuídas por sete ilhas, com diversos troços já concluídos, onde foram plantados cerca de 35 mil exemplares de espécies endémicas ao longo de mais de nove quilómetros.
A equipa de monitorização visitou ainda o Viveiro Florestal de Espécies Autóctones, na freguesia de São Brás, na Praia da Vitória, bem como áreas de reconversão de pastagens e de floresta existente para floresta nativa não produtiva, sob responsabilidade da Direção Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial.
Durante a visita, foram também destacados os resultados alcançados entre 2021 e 2025, incluindo o reforço da monitorização hidrometeorológica e de riscos naturais, a aprovação dos Planos de Gestão de Riscos de Inundação e de Secas e Escassez dos Açores e o avanço da revisão do Programa Regional para as Alterações Climáticas.
Segundo a nota de imprensa, o projeto tem igualmente impulsionado a mobilidade e a eficiência energética, com a expansão da rede de carregamento elétrico, a aquisição de viaturas elétricas e projetos-piloto de descarbonização. Nesse âmbito, Alonso Miguel salientou a recente aquisição de nove carrinhas elétricas, num investimento superior a 730 mil euros, integrado e cofinanciado pelo LIFE IP CLIMAZ, destinado a reforçar a frota operacional da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática nas nove ilhas.
O Secretário Regional sublinhou ainda a importância estratégica do projeto no contexto da revisão do Plano Regional para as Alterações Climáticas dos Açores, afirmando que “a experiência e os resultados obtidos no terreno estão a contribuir de forma decisiva para o aperfeiçoamento das políticas públicas regionais”.
Alonso Miguel concluiu que a visita de monitorização da Comissão Europeia permitiu evidenciar “o progresso alcançado, a boa execução técnica das ações e o alinhamento do projeto com os objetivos estratégicos climáticos regionais, nacionais e europeus”, reforçando a capacidade da região para responder aos impactos das alterações climáticas.
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