
Após ver a reportagem no programa teledesporto na RTP-Açores sobre o anunciado fim do apoio associado à palavra “Açores” às equipas desportivas representa um duro golpe no futuro do desporto na Região. Mais do que uma simples retirada deste apoio, esta decisão compromete seriamente a sobrevivência de muitas modalidades e ameaça afastar os Açores das competições nacionais, onde a presença regional sempre foi motivo de orgulho e afirmação.
É impossível ignorar a realidade geográfica dos Açores. A participação das equipas açorianas nos campeonatos nacionais implica custos elevados, sobretudo em deslocações e logística. Sem este apoio, muitas coletividades não têm capacidade financeira para competir fora da Região. O resultado é claro: sem apoio, não há equipas nos nacionais; sem equipas nos nacionais, o desporto açoriano perde visibilidade, competitividade e futuro.
As consequências não se ficam pelos clubes. Os atletas são diretamente afetados. A falta de objetivos competitivos, a ausência de desafios ao mais alto nível e a incerteza quanto ao futuro conduzem inevitavelmente à desmotivação. Jovens talentos deixam de acreditar que é possível crescer desportivamente nos Açores e acabam por abandonar a modalidade ou procurar oportunidades fora da Região — quando podem.
Esta decisão política transmite uma mensagem perigosa: a de que o desporto não é uma prioridade. A Secretária Regional, ao cortar este apoio, está na prática, a matar o desporto açoriano de forma lenta. Não por falta de talento ou dedicação dos atletas e dirigentes, mas por falta de visão e compromisso por parte de quem decide.
Com a impossibilidade de os clubes competirem nas competições nacionais, e ficarem limitas ao desporto regional, fica a pergunta…Qual a motivação terão os Atletas, Equipas Técnicas, e direções em continuar a trabalhar pelos clubes? Sem objetivos, não haverá motivação, não haverá atletas, não haverá equipes técnicas, não haverá pessoas que amam os clubes das suas terras a querer ingressar numa direção. O que pode levar ao fecho de dezenas de instituições, levando ao fim de muitas competições regionais ou ate o fim de muitas modalidades na região.
Investir no desporto não é um luxo, é uma necessidade. O desporto promove saúde, inclusão social, identidade regional e oportunidades para os jovens. Retirar este apoio é retirar esperança, objetivos e futuro. Se esta decisão não mudar, o desporto açoriano corre o sério risco de “morrer” — devendo-se a uma falta de responsabilidade política impossível de ignorar.
Mas o impacto vai muito além das quatro linhas. A cada fim de semana em que há competições nacionais nos Açores, entram na Região dezenas de pessoas — atletas, equipas técnicas, árbitros, dirigentes e familiares. Estas visitas representam ocupação hoteleira, refeições em restaurantes, consumo no comércio local e dinamização do mercado regional. Sem equipas nos nacionais, esse fluxo desaparece. Milhares de euros deixarão de entrar na economia regional, afetando diretamente hotéis, restaurantes, transportes e pequenos negócios.
Cortar esse investimento é comprometer o presente e hipotecar o futuro dos Açores. Os agentes desportivos merecem mais respeito. O desporto açoriano merece mais visão. E a Região merece decisões que construam futuro, não que o destruam.
Viva o DESPORTO AÇORIANO.
Wilson Fagundes
