NO RESCALDO DAS ELEIÇÕES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

António José Seguro, para surpresa de muita gente foi o vencedor máximo, ficando assim apurado para concorrer à segunda volta, contra André Ventura, autoproclamado novo líder da direita, perante o resultado obtido e, a estrondosa derrota de Maques Mendes, apoiado pela coligação dirigida por Montenegro, Primeiro Ministro e líder do PSD.

António José Seguro, arredado do Partido Socialista durante dez anos, não por iniciativa própria, mas sim, por companheiros desse tempo, que discordando da sua postura como socialista moderado de tendência Social Democrata, o traíram e afastaram do seu caminho.

Avançou sozinho, não pediu nenhum apoio ao partido que mesmo ausente ainda militava, fez uma campanha honesta, sincera, discreta, sem ataques pessoais e sem alguma vez referir o Partido Socialista! Foram os Socialistas que se sentindo incapazes de avançar com uma candidatura própria, vieram até ele…

Ouvi com atenção o seu discurso de vitória perante os seus apoiantes e, nem por uma vez, usou a palavra socialismo. Mesmo vitorioso, manteve a sua postura de humildade e abertura a todas as forças políticas, a todos os portugueses, como por várias vezes foi referido.

Democratas, progressistas, humanistas, livre e sem amarras, foram as palavras mais referenciadas ao longo da sua intervenção. Apenas fez referência ao seu adversário para a segunda volta, considerando que entre ele e André Ventura havia uma diferença abismal. Não foi exatamente esta palavra que usou, mas a intencionalidade foi a mesma.

Resta agora aguardar pelo resultado da segunda volta, entre um candidato que apoia a democracia pluralista e progressista e outro, que tem como lema, acabar com o regime instaurado e conduzido pelos seus opositores.

Embora em política, não seja próprio apelidar o político ou partido, de derrotado, parece-me não haver dúvida de que Montenegro na República e Bolieiro nos Açores, foram os maiores derrotados destas eleições, seja por culpa própria, ou pelo apoio incondicional que deram a Marques Mendes. Acabando tanto um como o outro, por ficar num beco sem saída, quanto à posição a tomar para a segunda volta, uma vez que dependentes do CHEGA para a sua sobrevivência, o apoio a Seguro podia-se tornar numa catástrofe…

Penso que esse apoio a Seguro não faltará, tanto da esquerda como da direita democrática, interessadas em manter o regime, que apesar de todos os seus defeitos, defende a democracia livre e pluralista.

Não foi por acaso que ainda esta manhã, o Presidente da Câmara de Braga, António Capucho e outros mais, chamados de pesos pesados do PSD, manifestaram o seu apoio a José Seguro.

Quanto aos Açores, Seguro acabou vencendo em todas as Ilhas, com exceção de São Miguel, embora nas palavras de José Pacheco, o CHEGA tenha vencido nos Açores, menos em Ponta Delgada…

Fernando Mendonça