
Foi este o título que deram ao seu retrato biográfico, escrito pelo conceituado jornalista e escritor Victor Alves.
Mais do que merecida homenagem a este homem, possuidor de um singular espólio de conhecimento, humildade, inimitável entrega e de AMOR à sua Praia da Vitória.
Na Igreja de Santo Cristo, local escolhido para tão dignificante acontecimento, entre as várias palavras de louvor e de apreço dos diversos membros da Mesa da Assembleia, nomeadamente pelo Sr. Presidente das Misericórdias do País, vindo de propósito para assistir e participar nesta fervorosa homenagem, houve emoção, alegria e aplausos, quase sempre de pé, porque verdadeiramente sentidos por todos os presentes, sobretudo, quando o Francisco, com aquela saudável humildade que o carateriza, despede-se dizendo: Obrigado a vocês todos meus amigos! Tenho amigos em toda Ilha e por esse Mundo fora.
Conheci o Francisco, tinha penso eu, os meus quinze/dezasseis anos, enquanto membro da JOC (Juventude Operária Católica) da qual ele fazia parte como membro ativo e preponderante naquela instituição de cariz católica, em defesa da classe operária e dos problemas de âmbito social, que no tempo imperavam na nossa comunidade.
Não estive por lá muito tempo, mas penso que o suficiente para modelar o meu caráter, sentido de responsabilidade e de entreajuda para com o meu semelhante.
Enquanto trabalhador, foi empregado do comércio, ficando ainda hoje conhecido, como o Chico da Iluminante. Graças ao seu envolvimento em quase todos os movimentos ou associações que havia na Praia, alguns amigos mais íntimos, chamavam-lhe o DONO DA PRAIA…

Várias vezes nos encontramos pelas ruas da Praia, onde veio à conversa os tempos da Juventude Operária Católica. Isto porque nunca esqueceu e, reconhece no seu íntimo, quão importante foi para ele, aquela experiência e começo de vida, que haviam de o catapultar para a humildade e entrega sem medida às mais variadas instituições de caráter social e humanista.
Quatro décadas como Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória! Quarenta anos de entrega total à caridade e ao crescimento das instituições da Santa Casa, muitas delas por ele criadas e hoje ao serviço dos idosos, dos sem abrigo, das vítimas da violência doméstica, das crianças abandonadas.
Um exemplo de coragem, de entrega e de desapego da vivência normal e de caráter pessoal dos seus conterrâneos.
Louvo a iniciativa dos seus companheiros da Mesa da Assembleia, assim como a aceitação e colaboração de Victor Alves, em trazerem à Praia e deixarem para as gerações vindouras, as memórias de um homem simples, honrado, o qual como muito bem disse o Sr. Presidente das Misericórdias, nasceu pobre, vive pobre e vai morrer pobre!
Fernando Mendonça
