AUTONOMIA DOS CLUBES DEVE GUIAR POLÍTICA DESPORTIVA NOS AÇORES, DEFENDE SOFIA RIBEIRO

A Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto afirmou esta terça‑feira, na Assembleia Legislativa dos Açores, que a política pública para o setor deve privilegiar a criação de condições que reforcem a autonomia das entidades desportivas, segundo nota de imprensa divulgada pela tutela.

A Secretária Regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, defendeu que o futuro das políticas públicas para o desporto “deve centrar‑se na criação de condições para que as entidades desportivas ganhem maior independência”. A posição foi expressa durante o debate parlamentar sobre os apoios ao setor, realizado esta terça‑feira, 13 de janeiro de 2026, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, conforme detalhado na nota de imprensa emitida pela Secretaria Regional.

“Mais do que focarmos a estratégia política na atribuição de apoios, impõe‑se que a visão da política pública seja assente no desenvolvimento de condições para que os clubes e as associações desportivas possam, com maior autonomia, desenvolver a sua atividade”, afirmou a governante.

Sofia Ribeiro sublinhou que a prioridade do Governo dos Açores está centrada no investimento direto nos atletas da Região, com especial enfoque nos escalões de formação. “O destaque deve ser dado aos escalões de formação, investindo no atleta açoriano”, declarou, acrescentando que esta aposta “permite alimentar os escalões seniores e formar cidadãos mais ativos e conscientes”.

A Secretária Regional rejeitou leituras generalistas sobre alegadas dificuldades financeiras no setor, defendendo que não se devem confundir casos isolados de má gestão com a realidade global do desporto açoriano. “Não se pode generalizar, para todo o setor desportivo, situações que são específicas de alguns clubes e que são geradas por opções de gestão dos próprios”, frisou. Em alguns casos, acrescentou, essas opções conduzem ao congelamento de verbas por parte de credores ou ao incumprimento de obrigações fiscais.

A governante destacou ainda que a autonomia que o Executivo pretende promover já se reflete em mudanças procedimentais concretas. Pela primeira vez, na época 2025/2026, o Governo processou a totalidade dos apoios destinados às viagens, aos apoios complementares no âmbito da atividade competitiva nacional e do Campeonato de Futebol dos Açores, bem como o apoio à contratação de treinadores, numa única tranche. “De um modo geral, os clubes e as associações começam o ano civil de 2026 melhor do que alguma vez começaram, com toda a sua participação paga”, garantiu.

Os dados demográficos e desportivos apresentados por Sofia Ribeiro demonstram, segundo a nota de imprensa, a eficácia das políticas públicas implementadas. Os Açores registam atualmente um “número recorde” de 24.872 praticantes, técnicos e outros agentes desportivos. No alto rendimento, a Região tem superado os resultados nacionais e internacionais dos últimos anos. “O número de participantes em seleções nacionais tem vindo a aumentar; o número de medalhados internacionais tem vindo a crescer e há mais de uma década que não tínhamos praticantes esperanças olímpicos”, destacou, revelando que existem atualmente quatro atletas nesta categoria.

Para a Secretária Regional, o panorama atual evidencia um setor “vital e dinâmico”, cuja evolução não se esgota na discussão sobre subsídios. “O Desporto nos Açores é muito mais do que a mera atribuição de apoios”, afirmou, lamentando que “visões enviesadas por interesses político‑partidários” procurem transmitir um cenário negativo. Considerou ainda que tal postura representa “uma falta de respeito e consideração pelo trabalho desenvolvido por quem se tem dedicado, com trabalho de qualidade, e vindo a demonstrar resultados que muito dignificam a Região Autónoma dos Açores”.

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