MORREU ÁLAMO OLIVEIRA, VOZ MAIOR DA LITERATURA AÇORIANA

Faleceu Álamo Oliveira, escritor, poeta, dramaturgo e figura incontornável da cultura açoriana. A notícia da sua morte foi recebida com profundo pesar pelo presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, que, no domingo, 6 de julho, emitiu uma nota de pesar onde homenageia o legado do autor nascido no Raminho, ilha Terceira.

Na nota oficial, José Manuel Bolieiro sublinha que “a notícia da partida de Álamo Oliveira deixou-nos mais pobres”, recordando o autor como “um criador inquieto, generoso e profundamente ligado às raízes das nossas ilhas, às suas gentes, às suas dores, às suas alegrias, às suas memórias”.

Álamo Oliveira dedicou a sua vida à palavra escrita, tendo deixado uma vasta e diversificada obra literária que abrange poesia, romance, teatro, conto e ensaio. São cerca de 40 títulos, muitos deles traduzidos e lidos além-fronteiras. “Mas para além dos livros, ficam as ideias, as perguntas, os palcos por onde passou, os leitores que tocou, os jovens que inspirou”, lê-se ainda na nota de pesar.

Fundador do “Alpendre – Grupo de Teatro”, onde desempenhou as funções de diretor artístico e encenador, Álamo Oliveira destacou-se também pelo seu envolvimento com a cultura popular e pelo olhar atento sobre a condição humana. Segundo Bolieiro, “as suas peças, tal como as suas letras e criações para a cultura popular, mostravam \[…] uma profunda preocupação com o ser humano”.

A escrita de Álamo Oliveira é atravessada por temas como a emigração, a saudade, a pertença, a justiça social e a esperança. Uma esperança “feita de resistência e de ternura”, como recorda o chefe do executivo açoriano. “Porque ele acreditava, genuinamente, que a literatura podia mudar alguma coisa no mundo”, sublinhou.

Ao longo da sua carreira, o autor foi distinguido com a **Insígnia Autonómica de Reconhecimento** pelo Governo Regional dos Açores e com o **grau de Comendador da Ordem do Mérito** pela Presidência da República. “Mas a distinção maior é aquela que só o tempo sabe dar, a da permanência. E essa, ele conquistou”, afirma José Manuel Bolieiro.

Em nome do Governo Regional dos Açores e em nome pessoal, o presidente endereçou à família, amigos e a todos os que com ele caminharam, “o mais sentido pesar”. Álamo Oliveira parte, mas, conclui a nota, “deixa-nos o mais precioso dos testemunhos, a palavra que fica, a memória que ilumina, a Açorianidade que resiste”.

José Henrique Álamo de Oliveira nasceu a 2 de maio de 1945 e faleceu no dia 5 de julho de 2025, com 80 anos. A missa de corpo presente decorreu na manhã desta segunda-feira, 07, na Igreja Paroquial do Raminho, seguida de funeral.

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