PRESIDENTE DO GOVERNO RECEBEU PRÍNCIPE ALBERTO II DO MÓNACO

O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu na quinta-feira o Príncipe Alberto II do Mónaco numa passagem por São Miguel, lembrando os feitos do trisavô do Príncipe, o “grande rosto e o grande impulsionador do estudo dos mares dos Açores e da sua vida marinha”.

 “O nosso mar, o Mar dos Açores, que lhe serviu de laboratório natural, tornou-se no palco de eleição das suas explorações, sempre movidas pela vontade de aprofundar o conhecimento científico sobre o mar e a vida marinha. Alberto I visitou todas as ilhas, por diversas vezes. Criando laços de amizade com os açorianos que, ainda hoje, passados tantos anos, olham com admiração para o contributo que o Príncipe do Mónaco deu para levar mais alto o nome da nossa terra. Foi com Alberto I do Mónaco que a Oceanografia começou a fazer parte das preocupações das elites açorianas”, lembrou o governante.

José Manuel Bolieiro falava no Salão Nobre do Palácio de Sant’ana, depois de ter acompanhado Alberto II do Mónaco em diferentes iniciativas em Ponta Delgada.

Na intervenção em Sant’ana, o Presidente do Governo lembrou que o interesse de Alberto I pelo mar “e a tudo o que a este dizia respeito”, levou-o a “interessar-se também pela meteorologia, sobretudo pela importância estratégica dos Açores no fornecimento de informações para a previsão do tempo na Europa”.

 “Para tal, encontrou no coronel Francisco Afonso Chaves um interlocutor privilegiado e o seu mais direto colaborador na comunidade científica açoriana, e estabeleceu relação próxima com Carlos Machado, o fundador do Museu que recebeu o seu nome e guarda e valoriza boa parte da história dos Açores”, e que foi ponto de passagem na agenda de quinta-feira.

Depois, o Presidente do Governo sustentou que o século XXI “desafia a comunidade internacional a centrar as suas preocupações na sustentabilidade ambiental do planeta”.

“Os oceanos são a causa de uma das batalhas decisivas pela salvação do planeta. A ciência ligada ao oceano permite aos Açores ter dimensão mundial e coloca-nos no centro da ação. Somos o parceiro liderante do Projeto Blue Azores, que, contando com a cooperação da Fundação Oceano Azul e do Instituto Ted Waitt bem como com a imprescindível participação da Universidade dos Açores e dos seus investigadores, visa proteger o mar dos Açores, através da concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas”, assinalou.

A concretizar, José Manuel Bolieiro declarou a Alberto II que os Açores gostariam de contar com o apoio do Príncipe “nos desafios em prol da sustentabilidade ambiental e na defesa dos oceanos.

“Estamos cientes de quanto o futuro da humanidade está pendente do que hoje formos capazes de fazer hoje e da capacidade que tivermos para o fazermos em comunidade. As lições que Alberto I do Mónaco nos deixou são um incentivo: prosseguirmos, aqui, em pleno Atlântico Norte, o trabalho em prol do desenvolvimento sustentável, combatendo a emergência climática, a destruição da biodiversidade e as novas formas de poluição”, rematou.

Em dezembro de 2018, o Príncipe Alberto II do Mónaco, com o intuito de assinalar os importantes feitos do seu trisavô, o Príncipe Alberto I do Mónaco, fundou o Comité das Comemorações de Alberto I.

Este comité tem vindo a programar um calendário de eventos e ações, com o objetivo de honrar a memória do Príncipe Alberto I, que além de governante, se notabilizou, sobretudo, pelo estudo da oceanografia, com forte ligação aos Açores.

As celebrações têm decorrido entre 2019 – marco dos 100 anos da fundação da Comissão Científica do Mediterrâneo (CIESM) – e 2022 – centenário da morte do Príncipe Alberto I – tanto no Principado do Mónaco como a nível internacional.

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