INVISÍVEIS

Alexandra Manes

Os assistentes operacionais, que têm sido invisíveis aos olhos de quem os tutela, representam o terceiro maior grupo profissional no setor da saúde, na sua grande maioria mulheres.

Os corredores de um hospital são um mundo complexo, agitado, mas acima de tudo uma organização cujo funcionamento visa o bem-estar das e dos utentes e a salvaguarda do bem maior de cada um de nós, a saúde. Para tal, contam também os assistentes operacionais que infelizmente são esquecidos.

No passado plenário, o Bloco de Esquerda votou favoravelmente a uma iniciativa que visa a (re) criação da carreira de Técnico Auxiliar de Saúde (TAS). Aliás, tem sido uma das lutas do BE, na Assembleia da República, que já apresentou várias propostas neste sentido, tendo sido a última feita em sede de OE2022, acabando rejeitada.

Esta carreira é uma questão de justiça, uma obrigação legal e um contributo para o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, por consequência, para o Serviço Regional de Saúde (SRS).

Justiça porque se a estes trabalhadores se exige que desempenhem funções especificas e diferenciadas, então tem que ter uma carreira que reconheça esta diferenciação de funções.

Estas profissionais são absolutamente essenciais para o funcionamento de blocos operatórios, enfermarias, etc, então, o seu salário tem de ser consentâneo com a importância das suas funções.

Uma obrigação legal que decorre da nova lei de bases de saúde, em que os profissionais de saúde têm direito a uma carreira própria.

É uma forma de reforçar o SRS porque sem carreira, com baixas remunerações é mais difícil captar profissionais que trabalham mais e ganham menos do que num supermercado.

Em Portugal, são milhares de profissionais que não têm uma carreira própria. Fazem turnos, trabalham de noite, fins de semana, trabalham em contexto de urgência, estão em salas de reanimação, conhecem todo o material médico, sabem manusear esses materiais, sabem o que necessitam e antecipam passo, mobilizam doentes, higienizam doentes, alimentam, dizem aquela palavra de conforto que confere o humanismo e o sentido de dever naquilo que fazem. Recebem pouco mais do que o salário mínimo.

Estas e estes profissionais, à semelhança de restantes profissionais na saúde, não pararam quando grande parte dos setores paravam devido à pandemia. Estiveram sempre ali, a postos para todas as eventualidades.

Não se entende que com tanta especificidade nas suas funções, não tenham uma carreira própria.

Uma coisa é certa: o reconhecimento, destes profissionais, não se faz com palavras de circunstância, com palmadinhas nas costas que não têm qualquer consequência ou com prémios que excluem mais do que incluem. Faz-se com condições de trabalho, com carreiras próprias e com remunerações dignas. O Grupo Parlamentar do BE, na Assembleia da República, votará, novamente a favor da criação desta carreira. Já PSD não se sabe, já que na votação, no parlamento regional, absteve-se!! PSD, CDS e PPM abstiveram-se!!

Alexandra Manes
Deputada do BE na ALRAA