ÁLAMO MENESES E SANDRA GARCIA: DUAS FACES DA MESMA MOEDA

Alexandra Manes

Com o aproximar das eleições autárquicas multiplicam-se as aparições públicas dos candidatos e candidatas. No que diz respeito ao concelho de Angra do Heroísmo, temos assistido a reportagens diárias com inaugurações de obras – por mais pequenas que sejam – e com a apresentação de intenções e manifestações políticas impotentes por parte daquelas que se assumem como as “candidaturas chave” destas autárquicas: PS e PSD.

Mas o que estas candidaturas apresentam todos os dias são promessas de medidas políticas avulsas, sem qualquer intenção de promover a transformação social que é necessária.

No essencial, Álamo Meneses e Sandra Garcia estão de acordo, e têm o mesmo programa político. Não passam, por isso, das duas faces da mesma moeda.

José Gabriel Álamo de Meneses, atual presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, conhecido como o Professor Álamo, é um político que com larga experiência, mas que raramente soube executar política. Apesar de ser presidente da única cidade dos Açores classificada como Património Mundial pela UNESCO, Álamo Meneses parece desprezar esse património negoceia hotéis de quatro estrelas em imóveis classificados, ignorando os especialistas. Não será de esquecer, claro está, o caso do Mercado Municipal, que permanece no obscurantismo burocrático, mas não deixa grandes dúvidas a quem percebe de gestão patrimonial.

Mas Sandra Garcia – candidata pela coligação que (des)governa a nossa Região – não é a salvadora que tenta parecer. Na verdade, quando se olha para os programas políticos do PS e do PSD para Angra do Heroísmo não se percebe onde termina um e onde começa o outro, de tão idênticos que são.

O PSD parece, assim, querer manter o papel de apêndice que ocupou no último mandato, quando os seus vereadores eleitos foram o verdadeiro braço direito de Álamo Meneses.

O facto de o PSD não apresentar um projeto político alternativo leva-nos a crer que a intenção de Sandra Garcia é seguir a linha de continuidade na destruição do património histórico de Angra do Heroísmo. Afinal, o PSD apresenta-se a estas eleições em coligação com o CDS, cujo presidente, quando era deputado, classificou os arqueólogos como “empecilhos dispensáveis”, revelando a sua opinião acerca de quem tem por uma das suas funções proteger o património.

A recente polémica acerca da nomeação de Sandra Garcia para Subdiretora Regional da Cultura revelou-se infrutífera (como tudo o que põe em causa a forma como este governo atua para agradar a “gregos e troianos” da coligação). Afinal de contas, ela fora já nomeada há muito tempo, só que a nomeação não teria sido formalizada mais cedo, por questões legais. O propósito é que deixa muito a desejar. De acordo com a informação que foi tornada pública, Sandra Garcia foi nomeada para resolver questões diocesanas e taurinas. Talvez a Secretária Regional que a nomeou não tenha feito bem o trabalho de casa. É que, ao que parece, quem resolve questões diocesanas é a economista Dora Garcia, irmã de Sandra Garcia que trabalha na Diocese de Angra do Heroísmo. Será que a Secretária Regional da Cultura, Ciência e Transição Digital conhece o conceito “conflito de interesses por questões familiares”.

A nomeação de Sandra Garcia mostra ainda outra coisa. É que a própria não acredita na sua candidatura. Caso contrário, teria solicitado o adiamento, por um mês ou dois, da sua nomeação. Pelo menos esperava até conhecer o resultado das eleições. Mas talvez seja melhor assim: ficamos todas e todos a saber que Sandra Garcia nem põe a hipótese de vencer as eleições.

Posto isto, parece-me claro que tanto Sandra como Álamo não merecem o seu voto, a sua confiança. Angra do Heroísmo necessita de pessoas realmente interessadas neste concelho, interessadas e preocupadas com as pessoas e que não deixem ninguém para trás!

Há uma candidatura de gente que se quer comprometer com a transformação social que urge. Hugo Bettencourt é o candidato do Bloco de Esquerda! Um jovem comprometido com este concelho. Sem receios e com propostas concretas e concretizáveis, pela qualidade de vida e por este concelho. Pelas pessoas!

Alexandra Manes
Deputada pelo BE à ALRAA.

One comment

  1. A candidatura da Sandra Garcia é tudo menos uma nova energia. Coligando-se com o CDS-PP e o anedótico PPM é tudo menos mudança e inovação. É mais do mesmo, muito parecido ou talvez pior.

    A direita é muito perigosa pelas ideias que defende. Em Portugal não existe extrema esquerda, se não também seria. CDS-PP e PPM são, a meu ver, dois partidos extremamente conservadores, no pior sentido.

    Esta coligação é mais do mesmo e um forte lobby das tradições tauromáquicas tão enraizadas na ilha, entre outras. A Terceira com as suas tradições arcaicas regrediu, está transformada num feudo. Enquanto o resto do mundo avança rumo à abolição, os terceirenses teimam em manter o inqualificável, defendendo a sua identidade cultural através de uma prática obtusa e cruel. Mas a questão não se demora apenas aqui. Perdura em muitos outros aspectos.

    Não acredito na vitória desta coligação.

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