JOVEM COMPOSITOR PRAIENSE ASSINA BANDA SONORA DE SÉRIE DOCUMENTAL A EXIBIR NA RTP

Natural da Praia da Vitória, onde nasceu na freguesia de Santa Cruz há 22 anos, Gualter Silva cursa composição musical na Escola Superior de Música de Lisboa. Desde junho do ano passado, o jovem praiense é também o compositor responsável pela banda sonora de uma nova série documental de produção independente a passar brevemente na RTP.

Este projeto que lhe permite experienciar algo de absolutamente novo no âmbito da composição musical e, simultaneamente, trabalhar e aprender com grandes nomes da cinematografia portuguesa, surge na sequência de um rumo há muito trilhado e que alicerçado numa forte paixão, aposta na composição musical como forma de vida.

Ainda muito novo e pelas mãos do pai – músico amador – Gualter Silva ingressa na escola de música da Filarmónica União Praiense. A partir desta altura a música começa a fazer parte integrante da sua vida e a determinar muitas das suas opções de vida, nomeadamente no que diz respeito aos estudos. Depois de frequentar o Conservatório na Praia da Vitória, em 2016, ruma até Aveiro, para estudar na Escola Profissional de Música da JOBRA. Embora estudando trompete, a composição musical sempre o fascinou e, vai daí, em 2019, presta provas em composição musical para ingresso na Escola Superior de Música de Lisboa, onde, presentemente frequenta o 2.º ano de licenciatura.

E é precisamente por se encontrar na Capital que esta oportunidade para compor a banda sonora de uma série surgiu.

“É na Capital que se situam grande número de produtoras e é também na Capital onde estão as estações de televisão, sendo por isso natural e inevitável, que seja por ali que as produtoras procurem parceiros para os seus projetos”, começa por enquadrar Gualter Silva à nossa reportagem.

Tanto assim é, que os produtores das editoras LX Filmes e Ocidental Filmes — responsáveis pela série — falaram com o professor Jaime Reis, que lhes indicou o nome do seu aluno Gualter Silva. “Depois, acabei por conhecer os diretores, e penso que houve uma grande coordenação e também uma grande empatia das duas partes, que fez com que conseguíssemos nos entender e trabalhar muito bem”, explica o jovem compositor.

Embora já com diversos trabalhos de composição, este projeto apresenta-se como algo completamente novo e absolutamente desafiante, levando-lhe a desenvolver novas competências no processo de composição.

“Destaco que este é o meu primeiro trabalho cinematográfico ou de música para imagem. O processo de composição é totalmente diferente do que estava habituado. Sempre fui um compositor livre de escrever no tempo e na forma que pretendia, mas na música para imagem não é assim. Apesar de a imagem já nos dar muitas ideias do que podemos fazer a nível melódico e rítmico, o tempo dos takes podem tornar-se limitadores para a ideia, até mesmo o simples facto de naquele preciso segundo ter que haver um som, torna-se uma barreira para a criação livre que estava habituado. Mas é um tipo de trabalho que há muito tinha curiosidade e estou contente com os resultados obtidos”, salienta.

De facto, entre a ideia musical inicial, a música gravada e a edição final, muitos são os passos e as pessoas envolvidas, num processo em que tudo é trabalhado aos mais ínfimo pormenor.

“Neste trabalho eu começo por compor as músicas que depois envio para o sonoplasta as utilizar no take. De seguida, trabalhamos os ajustamentos ao nível dos timming’s, pois nem sempre a música se ajusta ao tempo do take, pelo que é necessário garantir este equilíbrio. Feito este trabalho gravamos com os músicos, e depois, a música é novamente enviada para os diretores do projeto que fazem uma última edição, antes de a música ser definitivamente lançada”, descreve Gualter Silva.

Trabalham com Gualter Silva neste projeto uma equipa de cerca de 30 pessoas, o que na realidade dos tempos atuais tem constituído uma dificuldade face à necessidade do tão propalado “distanciamento físico”. Ainda assim, as gravações sem conhecerem a celeridade que seria desejável tem corrido a bom ritmo, cumprindo os prazos previstos.

“Terminei as músicas do episódio piloto em meados de setembro, mas devido à pandemia só em janeiro é que as conseguimos gravar. Nesta gravação éramos uma equipa de 30 pessoas, embora não estivéssemos todos juntos ao mesmo tempo, o que dificulta um pouco mais o trabalho. A Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco proporcionou-nos excelentes condições, ao disponibilizar-nos diversas salas para que reduzíssemos ao máximo o risco de contágio”, explica.

A série que retrata a vida e época do último conde de Mafra, Thomas de Mello Breyner (1866 — 1933), baseando-se nos seus diários pessoais, é constituída por três episódios, dos quais um já se encontra com a banda sonora concluída. Quisemos, por isso saber, que influências das ilhas em geral e da Terceira em particular vamos encontrar neste trabalho que espelha a passagem da Monarquia para a República.

“As influências da Terceira estão presentes não só neste projeto como em todas as minhas criações”, diz Gualter Silva, para de seguida complementar: “Não tem necessariamente que ser sonoridades de música tradicional, mas ela acaba sempre por estar presente, por constituir uma das minhas fontes de inspiração melódica. Procuro sempre incorporar os sons da natureza, o mar, o ar, o vento nas árvores, e isto vem do meu ser ilhéu, pois fui criado com estes sons ambientes, que incorporei nesta banda sonora como em quase todas as minhas criações musicais”.

Ainda sem dada definida para a estreia nacional, estima-se que a série possa estrear no final do corrente ano. Naturalmente, Gualter Silva aguarda com expectativa essa estreia e as janelas de oportunidades que a mesma possa abrir.

“Já há na ideia novos projetos, mas para já não passam disso mesmo — ideias, o que me deixa, por um lado, orgulhoso porque o meu trabalho cumpriu com as expectativas, mas por outro, com a responsabilidade de fazer mais e melhor”.

“Quero continuar a trilhar o meu caminho, orgulhando sempre a minha terra e as minhas gentes, pois isso é algo que também me deixa muito orgulhoso!”, concluiu Gualter Silva.

© PE | Fotos: GS

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s