QUANDO O FUTURO NÃO ACONTECE – SEIS MESES DE DESILUSÃO NA PRAIA DA VITÓRIA

Passaram quase seis meses, desde o início do segundo mandato da coligação PSD/CDS‑PP à frente da Câmara Municipal da Praia da Vitória. Seis meses em que muitos praienses aguardavam sinais claros de mudança, de ambição renovada e de respostas concretas para os problemas que marcam o dia-a-dia do nosso Concelho.

Infelizmente, o sentimento que hoje se instala é o da frustração e da desilusão.

A esperança que foi criada em período eleitoral, com a promessa de que “a casa estava arrumada” e de que existia finalmente capacidade para investir, não encontrou correspondência na realidade. Em vez de um novo ciclo de ação e de soluções, assistimos à repetição de um discurso cansado, preso ao passado, usado como desculpa permanente para esconder a falta de visão, de rumo e de coragem política para decidir.

Não se governa um Concelho a olhar constantemente pelo retrovisor. Governa‑se com ambição, com planeamento e com um projeto claro para o futuro.

Uma das maiores feridas deste início de mandato é o desperdício do Plano de Recuperação e Resiliência. Num tempo em que tantas famílias enfrentam dificuldades, em que a habitação é um drama real, em que era possível reabilitar, apoiar e criar oportunidades, optou‑se pela inação. Perdeu‑se tempo. E com isso, perderam‑se oportunidades que dificilmente voltarão.

O mesmo desânimo sente‑se ao olhar para o Plano Diretor Municipal, anunciado com pompa em campanha e hoje mergulhado em constantes adiamentos. Cada mês sem PDM é um mês de bloqueio ao investimento, de incerteza para os cidadãos, de travão ao desenvolvimento do Concelho.

Também os fundos do PO Açores 2030, mais de 11 milhões de euros ao dispor da autarquia, continuam sem a execução efetiva que o momento exige. Estes números não são abstratos: traduzem‑se em estradas, equipamentos, apoio às empresas, respostas sociais, educativas e ambientais. Quando não se executa, quem perde são os praienses.

No terreno, a realidade fala por si. As estradas estão cada vez piores, cheias de buracos, inseguras, indignas de um Concelho que se quer moderno. A limpeza urbana e a recolha de resíduos continuam a suscitar descontentamento e preocupação. São problemas básicos, mas fundamentais para a qualidade de vida e para o respeito por quem aqui vive.

A habitação, uma das maiores angústias das famílias e dos jovens, continua sem uma resposta municipal estruturada. O parque habitacional da autarquia permanece praticamente esquecido, quando tantos jovens adiam projetos de vida e tantas pessoas vivem com dificuldades reais.

No plano económico, a situação é igualmente preocupante. O Terceira Tech Island, que podia ser um motor de inovação, emprego e futuro, encontra‑se num processo de morte lenta. Em cinco anos, a autarquia não foi capaz de atrair uma única empresa. Isto não é apenas um falhanço político, é uma oportunidade roubada aos nossos jovens.

O Centro Logístico de Belo Jardim representa outra decisão mal ponderada, num local que deveria servir a expansão urbana. Trata‑se de uma obra em curso, sem que estejam devidamente asseguradas medidas eficazes de mitigação dos impactos ambientais e visuais.

A cidade da Praia da Vitória continua sem vida, sem centralidade, sem um plano que a devolva às pessoas. Falta movimento, cultura, comércio ativo. Falta acreditar na cidade. E as Instituições, Clubes e Associações, que fazem tanto com tão pouco, continuam a sentir um apoio manifestamente insuficiente.

Até promessas simples, como o fim dos parquímetros, acabaram por ser traídas. Mantiveram‑se e ainda aumentaram de preço! Pequenos gestos que alimentam uma sensação generalizada de incoerência e afastamento em relação às pessoas.

É por tudo isto que este início de mandato sabe a pouco. Ou melhor, sabe a desilusão.

Naturalmente, nem tudo foi mal feito, e é justo reconhecê‑lo. Mas a verdade é que a Praia da Vitória continua sem um rumo claro, sem uma estratégia mobilizadora e sem um projeto que inspire confiança.

Enquanto vereador do Partido Socialista, acredito profundamente que a Praia da Vitória merece mais. Merece uma visão que valorize a baía e a sua envolvência; que vire a cidade para o mar, para o desporto e para a cultura; que apoie verdadeiramente as instituições, os clubes e as empresas locais; que aproveite cada euro dos fundos comunitários; que crie uma estrutura de apoio às Juntas de Freguesia e às Instituições; que implemente um programa municipal sério de apoio à habitação; que aposte na educação, na saúde, nas famílias, nos jovens e nos idosos.

O tempo já não é de discursos fáceis. É tempo de trabalho, de proximidade, de decisões e de coragem.

A Praia da Vitória não pode continuar à espera.

Os praienses merecem respostas. Merecem futuro.

Marco Martins
Vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal da Praia da Vitória