O Bloco de Esquerda dos Açores (BE/Açores) vai levar ao plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores uma interpelação ao Governo Regional sobre o modelo de desenvolvimento do turismo, defendendo a necessidade de regular o crescimento do setor e de travar a expansão do alojamento local para responder à crise da habitação.
De acordo com um comunicado de imprensa divulgado na terça-feira, 7 de abril de 2026, pelo BE/Açores, a interpelação terá lugar no plenário da Assembleia Legislativa entre os dias 14 e 16 de abril e pretende obrigar o Governo Regional a esclarecer a sua estratégia para o setor do turismo.
Segundo o partido, regular o crescimento do turismo, travar a expansão descontrolada do alojamento local e responder à crise da habitação são prioridades que o executivo regional tem evitado enfrentar.
A iniciativa surge depois de, no último plenário, o deputado António Lima ter apresentado uma declaração política sobre economia, turismo e habitação, onde colocou estas questões e dirigiu uma interpelação direta à secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, cuja secretaria foi alvo de buscas no âmbito da operação “Last Call”. No entanto, de acordo com o comunicado, nem o Governo nem os restantes partidos com assento parlamentar se inscreveram para o debate.
Para o Bloco de Esquerda, este silêncio demonstra falta de estratégia e ausência de vontade política para enfrentar os desequilíbrios criados por anos de crescimento desordenado do turismo.
O partido refere que o modelo de desenvolvimento regional assentou quase exclusivamente no turismo, setor que representa cerca de 17% do Produto Interno Bruto regional, mas que apresenta sinais de fragilidade, como o aumento da sazonalidade e a quebra da procura.
O comunicado alerta ainda para as incertezas quanto ao futuro das ligações aéreas para os Açores, nomeadamente no contexto dos processos de privatização da SATA e da TAP, bem como para o impacto da atual situação geopolítica internacional no aumento dos custos das viagens.
No setor do alojamento, o Bloco sublinha que o crescimento do alojamento local foi particularmente significativo nos últimos anos, com o número de camas a triplicar, sem correspondência na procura. Segundo o partido, mais de metade das camas permanecem vazias, mesmo durante a época alta, o que considera demonstrar a insustentabilidade do modelo seguido.
Perante este cenário, o Bloco de Esquerda defende a necessidade de regular o setor, propondo a limitação da abertura de novos alojamentos locais nas zonas de maior pressão e a criação de um programa público que permita converter alojamento local em habitação a preços acessíveis.
Entre outras propostas, o partido defende também a reorientação da estratégia de promoção turística, com maior aposta na época baixa e em novos produtos turísticos, como a natureza ativa, o geoturismo, a cultura e a gastronomia, bem como a criação de eventos âncora fora da época alta. O Bloco considera ainda essencial melhorar as condições de trabalho no setor, incluindo a implementação de um plano para promover o aumento dos salários.
Com esta interpelação, refere o comunicado de imprensa, o Bloco de Esquerda pretende “romper com o silêncio que tem marcado este debate” e obrigar o Governo e os restantes partidos a assumirem posições claras sobre o futuro do turismo na Região.
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