
A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática promoveu, em São Miguel, um curso de formação em produção e análise de superfícies LiDAR, destinado a técnicos da Administração Pública Regional, com o objetivo de reforçar a capacidade de planeamento territorial e gestão de riscos na Região.
A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática promoveu um curso de formação em Produção e Análise de Superfícies LiDAR (Light Detection and Ranging), que decorreu na ilha de São Miguel entre os dias 27 de março e 2 de abril, com o objetivo de reforçar a capacitação técnica da Região nesta área.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada esta segunda-feira, 6 de abril de 2026, pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, a formação foi ministrada pelo especialista Nelson Ribeiro Pires, engenheiro geoespacial e professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
Citado na nota, o Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, explicou que “a formação teve como principal objetivo capacitar os profissionais da Administração Pública Regional ao nível do tratamento e análise de dados LiDAR e de fotogrametria, dotando-os de competências essenciais para reforçar a capacidade de resposta e planeamento em diversas áreas”.
Entre essas áreas, destacou a produção cartográfica, a gestão de riscos, a Proteção Civil, o desenvolvimento florestal, o ordenamento do território e a gestão sustentável da paisagem, através da utilização de informação geoespacial de elevada precisão.
A tecnologia LiDAR é um sistema de deteção remota ativa que permite obter pontos tridimensionais a partir da medição das propriedades da luz refletida em objetos distantes, possibilitando medir distâncias e movimentos com elevada precisão e criar modelos detalhados do terreno. Estes dados são considerados fundamentais, por exemplo, para simulação de cheias e movimentos de vertente, monitorização de zonas costeiras ou mapeamento de bacias hidrográficas.
A formação, promovida no âmbito do projeto Life IP Climaz, teve uma duração de 26 horas e contou com a participação de 35 formandos provenientes de diversas áreas, incluindo técnicos da Administração Pública ligados à Proteção Civil, ambiente e ação climática, ordenamento do território, serviços florestais, políticas marítimas e do Laboratório Regional de Engenharia Civil.
Segundo Alonso Miguel, o Governo Regional realizou, em 2024, um levantamento aerofotogramétrico com varrimento LiDAR que será tornado público brevemente. O governante adiantou ainda que está em fase final um procedimento concursal para a produção de cartografia topográfica vetorial na Região.
“Com este procedimento para a aquisição de serviços de cartografia topográfica vetorial, que será lançado ainda em 2026, representando um investimento de 2,2 milhões de euros, a Região passa a dispor de informação de elevado detalhe de toda a sua superfície”, afirmou, acrescentando que esta evolução permitirá obter modelos digitais do terreno e de superfície de elevada resolução, algo inédito até agora nos Açores.
O governante salientou que a cartografia de pormenor é fundamental para processos de planeamento territorial, nomeadamente para alterações de Instrumentos de Gestão Territorial, como os Planos Especiais de Ordenamento do Território e os Planos Municipais de Ordenamento do Território (PDM), sobretudo quando se pretende determinar afastamentos de edificações ou infraestruturas de zonas de risco significativo.
Alonso Miguel destacou ainda que a cartografia a produzir permitirá atualizar de forma detalhada as áreas edificadas expostas a riscos costeiros durante eventos extremos e criar cenários associados às alterações climáticas, contribuindo para a definição de medidas de mitigação e adaptação e para reforçar a segurança de pessoas e bens.
O secretário regional lembrou também que, desde 2022, já foram investidos cerca de 1,5 milhões de euros na capacitação tecnológica da Região para desenvolvimento e atualização cartográfica nas nove ilhas. Em 2023, foram adquiridos diversos equipamentos na área da geodesia, cartografia e cadastro, num investimento superior a 800 mil euros financiado a 100% pelo programa REACT-EU.
Entre os equipamentos adquiridos contam-se quatro estações totais, quatro recetores GNSS, nove drones multirotores, uma estação permanente GNSS, três quadrirotores para levantamento LiDAR, três workstations, três restituidores fotogramétricos, um laser scanner e nove recetores GNSS para a rede de estações permanentes.
Alonso Miguel sublinhou que “de nada serviria capacitar a Região com equipamentos tecnológicos de ponta, se não fosse ministrada a correspondente formação”, acrescentando que o investimento permitirá atualizar conteúdos cartográficos com maior frequência e disponibilizar informação relevante também para a investigação científica e para o tecido empresarial regional.
A formação centrou-se no conhecimento de plataformas autónomas, sensores e aplicações, bem como nos algoritmos utilizados no processamento fotogramétrico. O curso privilegiou o uso de software de código aberto, como o OpenDroneMap (ODM), o PDAL e o Open Point Cloud, tendo também sido testadas ferramentas de código proprietário como o LAStools e o Whiteboxtools para QGIS.
O governante concluiu que “o desenvolvimento destas competências na Administração Pública Regional reforça a capacidade de resposta na prevenção de riscos naturais, na gestão ambiental e na disponibilização de informação técnica essencial para a tomada de decisão e o planeamento territorial na Região”.
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