
A Iniciativa Liberal dos Açores exigiu esclarecimentos públicos à Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas sobre vários dossiers da tutela, incluindo a saída da Ryanair da Região, o modelo de transporte marítimo de mercadorias e a preparação das épocas turísticas.
Numa nota de imprensa divulgada na semana passada, a Iniciativa Liberal dos Açores (IL/Açores) afirma que o coordenador regional do partido, Hugo Almeida, exige explicações à secretária regional Berta Cabral relativamente à gestão de vários processos que considera problemáticos na área dos transportes e do turismo.
No comunicado, citado pela mesma fonte, Hugo Almeida sustenta que esta posição política “nada tem que ver com quaisquer investigações em curso no departamento desta Secretaria”, mas resulta da análise de “atos de gestão pública documentados e verificáveis, com impacto direto e mensurável na vida quotidiana dos Açorianos”.
“A Iniciativa Liberal Açores exige explicações públicas, concretas e tempestivas sobre cada um destes dossiers. Se a Sra. Secretária Berta Cabral não as quiser dar, que dê lugar a quem o queira fazer; se não consegue resolver, que dê lugar a quem consiga; se não tem condições para gerir esta pasta, que dê lugar a quem as tenha”, afirma o dirigente liberal no texto.
Entre os temas apontados pelo partido está a saída da companhia aérea Ryanair da Região. Segundo Hugo Almeida, a própria secretária regional admitiu que “não tem havido grandes conversações” com a transportadora e que as reuniões “têm estado a protelar”. Para a IL/Açores, a partida de uma companhia “essencial para a acessibilidade dos Açorianos” terá ocorrido “sem negociação séria”.
Os liberais questionam qual foi a solução apresentada pelo Governo Regional para compensar esta saída e criticam a expectativa de que outras companhias possam resolver o problema. “A confiança em que a SATA e a TAP resolverão é negligência com o mercado e com o bolso dos contribuintes”, afirma o partido, acrescentando que “esperança não é política pública”.
Outro dos pontos criticados na nota de imprensa é o novo modelo de transporte marítimo de mercadorias. Hugo Almeida considera que as alterações prometidas não impediram “disrupções repetidas” no abastecimento das ilhas, situação que, segundo o dirigente liberal, obrigou famílias e empresas a ajustarem o consumo e o aprovisionamento.
No comunicado, o responsável político sublinha que, num arquipélago, o abastecimento regular “não é um luxo, é uma necessidade de soberania territorial”. Nesse sentido, acusa o Governo de falhas de gestão que acabam por agravar os custos da insularidade.
A IL/Açores critica ainda a estratégia de promoção turística da Região, defendendo que o arquipélago está a perder competitividade face a outros destinos insulares e atlânticos. De acordo com Hugo Almeida, vários territórios semelhantes souberam adaptar-se às mudanças do mercado turístico internacional, marcadas por fatores como conflitos internacionais, instabilidade na Europa e alterações nas rotas turísticas.
“Os Açores, com todas as suas condições naturais únicas, estão a perder essa janela de oportunidade por inação e falta de visão estratégica na tutela do turismo e dos transportes”, afirma o coordenador regional liberal.
Na mesma nota de imprensa, Hugo Almeida deixa ainda críticas ao Chega, partido que considera “corresponsável” por continuar a viabilizar a atual solução governativa. “A corresponsabilidade governativa tem um limite moral. Continuar a viabilizar esta gestão é assumir como próprios os seus resultados”, afirma.
A concluir, o dirigente liberal defende que “a Liberdade dos Açorianos não pode ficar refém da inércia de quem governa”, sublinhando que cada falha de gestão acaba por ter impactos concretos na vida dos cidadãos e na economia regional.
© GRA | Foto: IL/A | PE
