OCORRÊNCIAS NAS RIBEIRAS DOS AÇORES DIMINUÍRAM EM 2025

O número de ocorrências registadas nas ribeiras dos Açores diminuiu em 2025, passando de 301 para 243 situações identificadas em toda a Região. Os dados constam do Relatório do Estado das Ribeiras dos Açores (RERA), apresentado em Angra do Heroísmo pelo Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática.

O Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, presidiu à sessão pública de apresentação do Relatório do Estado das Ribeiras dos Açores (RERA) relativo a 2025, realizada na Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, em Angra do Heroísmo.

De acordo com uma nota de imprensa divulgada quinta-feira, 26 de março de 2026, pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, o governante destacou o relatório como um “instrumento estratégico de grande relevância no que se refere à monitorização e ao planeamento das intervenções de desassoreamento, limpeza, manutenção e requalificação das ribeiras”.

Durante a apresentação, Alonso Miguel sublinhou que a localização geográfica e as especificidades arquipelágicas dos Açores tornam a Região particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas, que se refletem no aumento da frequência e intensidade de fenómenos meteorológicos extremos.

Segundo afirmou, estes fenómenos “colocam em causa a segurança das pessoas, causam prejuízos materiais e financeiros avultados, para além dos efeitos negativos que representam para os ecossistemas e para setores de enorme relevância para o desenvolvimento da Região”.

Neste contexto, o governante destacou a importância da manutenção adequada das linhas de água. “Ribeiras desobstruídas e bem mantidas, em conjunto com boas práticas ambientais, por parte das populações, são aspetos fundamentais para reduzir o risco de ocorrência de cheias, inundações, deslizamentos de terra e outros perigos”, afirmou.

O relatório permite, segundo a tutela, identificar e priorizar intervenções nas linhas de água da Região, cuja rede hidrográfica ultrapassa os sete mil quilómetros e integra mais de 727 bacias hidrográficas.

O documento resulta de um trabalho técnico e operacional que envolveu mais de 60 colaboradores da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática. Em 2025 foram percorridos mais de 550 quilómetros de linhas de água e efetuados 485 registos, entre novos levantamentos e avaliações, abrangendo 168 bacias hidrográficas.

Os dados recolhidos revelam uma evolução global positiva, com o número de ocorrências a diminuir para 243 em 2025, face às 301 registadas em 2024. A ilha de São Miguel concentrou o maior número de ocorrências, com 176 casos, seguida do Pico, com 22, da Terceira, com 15, e do Faial, com 12.

Segundo Alonso Miguel, registou-se uma diminuição do número de ocorrências em todas as ilhas, com exceção de São Miguel e do Pico. A redução foi particularmente expressiva na Terceira, onde o número de ocorrências passou de 36 para 15, e na Graciosa, que registou oito ocorrências em 2025, comparativamente com 42 no ano anterior.

Também a gravidade das situações identificadas apresentou melhorias. As duas categorias de maior gravidade representam agora cerca de 10% do total de ocorrências, quando em 2024 correspondiam a 21%.

Quanto à tipologia das ocorrências, os assoreamentos continuam a ser os eventos mais frequentes, representando cerca de 29% do total, seguidos das derrocadas, com aproximadamente 24%.

O relatório evidencia ainda a redução das situações relacionadas com o abandono de resíduos nas ribeiras, que passaram de 22 ocorrências em 2024 para 12 em 2025, refletindo, segundo o governante, uma crescente consciencialização ambiental da população.

Alonso Miguel destacou que estes resultados são consequência de políticas públicas articuladas entre o Governo Regional, autarquias e outras entidades, bem como do compromisso das empresas, organizações e cidadãos.

Entre as medidas implementadas, o governante salientou o reforço financeiro do programa Eco-Freguesia, que tem permitido às juntas de freguesia colaborar de forma mais ativa na limpeza e manutenção das ribeiras.

No plano operacional, foi igualmente reforçada a capacidade das equipas da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, com a contratação de 18 novos elementos e o reforço do Corpo de Vigilantes da Natureza. Foi ainda realizado um investimento superior a 1,5 milhões de euros na capacitação das equipas, incluindo formação, aquisição de viaturas, equipamentos de proteção individual, maquinaria e drones.

O governante destacou ainda várias medidas estruturantes em curso, como empreitadas de requalificação da rede hidrográfica, a criação de cartografia de risco para mitigação e adaptação às alterações climáticas — num investimento de 3,7 milhões de euros —, a revisão do Plano de Gestão de Riscos de Inundações dos Açores e a implementação de um sistema de alerta de cheias, cujo concurso internacional deverá ser lançado em 2026, com um investimento estimado de 1,5 milhões de euros.

“Da parte do Governo Regional, tem havido uma aposta firme nesta matéria, através do reforço de meios humanos, materiais e financeiros alocados à limpeza, manutenção e requalificação das nossas linhas de água”, concluiu Alonso Miguel.

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