
O presidente do PS/Açores acusou o Governo Regional de tentar desvalorizar a situação financeira da Região, afirmando que já existem sinais de dificuldades no pagamento de compromissos a empresas e trabalhadores. Francisco César defende que o executivo deve assumir a gravidade do problema e apresentar medidas concretas para reorganizar as contas públicas.
O presidente do PS/Açores, Francisco César, criticou esta quarta-feira as declarações do presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, acusando o líder do executivo de tentar desvalorizar uma situação financeira que, segundo afirma, “já se faz sentir na vida das empresas, dos trabalhadores e das famílias açorianas”.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada ontem, 25 de março de 2026, pelo PS/Açores, o líder socialista considera que “não basta reconhecer que a situação é complexa e, ao mesmo tempo, fingir que está tudo sob controlo”, quando se multiplicam sinais de dificuldades no pagamento de compromissos assumidos pelo Governo Regional e por empresas públicas.
Francisco César referiu ainda que “o mais preocupante é que o próprio Presidente do Governo foi reunir com o Presidente da República para pedir mais meios financeiros, mais margem e mais fundos, mas continua sem dizer aos Açorianos o que tenciona fazer, concretamente, para pôr ordem nas contas da Região”.
Segundo o dirigente socialista, a realidade no terreno contraria o discurso oficial. “Há pequenos empresários que fornecem escolas e não recebem desde outubro, há transportadores escolares que tiveram de protestar para conseguir o pagamento de uma fatura, há empresas da construção civil à espera de verbas em atraso e houve empresas públicas a pagar salários com atraso. Perante isto, vir dizer que está tudo bem é negar a evidência”, afirmou.
Para Francisco César, o problema ultrapassa já a dimensão financeira e assume também um carácter político. “O Presidente do Governo está mais preocupado em esconder a gravidade da situação do que em resolvê-la”, criticou.
O presidente do PS/Açores defende que a solução passa por decisões claras e pela definição de prioridades. “O que os Açorianos precisam de ouvir não é que está tudo bem. O que precisam de ouvir é que o Governo vai reestruturar áreas onde há descontrolo, cortar gastos supérfluos, dar o exemplo na dimensão da máquina governativa e concentrar recursos naquilo que realmente importa”, sublinhou.
Na mesma nota de imprensa, o líder socialista alertou também para os impactos que a fragilidade financeira do executivo poderá ter na economia regional, numa altura em que vários setores enfrentam dificuldades acrescidas. “Se o Governo não consegue cumprir a sua atividade corrente, também não terá capacidade para responder quando o ciclo económico piora. E isso tem consequências no investimento, no emprego e no rendimento das famílias”, avisou.
Francisco César apontou ainda a necessidade de medidas para mitigar a subida dos combustíveis, defendendo que o Governo Regional deve garantir que não beneficia do aumento do preço e que deve devolver integralmente aos açorianos o acréscimo de receita fiscal resultante dessa subida. Além disso, considera necessário preparar apoios específicos para setores como as pescas, a agricultura e o turismo.
O líder socialista lamentou também que, perante seis meses consecutivos de queda no turismo e sinais de pressão sobre a economia regional, o executivo regional continue, segundo afirma, sem demonstrar capacidade de antecipação. “Um Governo com as contas em desordem fica de mãos atadas quando surgem novas dificuldades. É isso que está a acontecer nos Açores”, disse.
Para Francisco César, a pior resposta seria continuar a negar o problema. “É preciso ter coragem para dizer aos Açorianos que a situação é séria. Mas, acima de tudo, é preciso ter coragem para agir. O PS Açores tem vindo a alertar para este caminho há muito tempo. Agora, a realidade está a impor-se. O que se exige ao Governo é que deixe a propaganda e comece finalmente a governar”, concluiu.
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