GOVERNO DOS AÇORES DESTACA ÉPOCA VENATÓRIA “RESPONSÁVEL E SUSTENTÁVEL”

O Governo dos Açores divulgou o balanço final da época venatória 2025/2026, destacando a normalidade das atividades, o reforço da fiscalização e a gestão sustentável dos recursos naturais. Ao todo, foram emitidas 2.011 licenças de caça no arquipélago.

O Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, apresentou o balanço final da época venatória 2025/2026, numa sessão realizada durante uma visita ao Posto Cinegético da Chã da Macela, no concelho da Lagoa. A informação foi divulgada numa nota de imprensa emitida esta terça-feira, 24 de março.

Citado na nota, o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, afirma que os resultados demonstram “uma gestão responsável e sustentável dos recursos naturais, marcada pela normalidade das atividades, pela segurança e pela fiscalização reforçada”.

Segundo o documento, o balanço reflete a atividade cinegética desenvolvida em todas as ilhas do arquipélago, com níveis de pressão de caça ajustados à realidade populacional das espécies e às especificidades de cada território.

Embora a pressão de caça se tenha mantido globalmente semelhante à da época anterior, o executivo regional introduziu alguns ajustamentos. Entre as principais medidas destaca-se o aumento dos dias de caça ao coelho-bravo nas ilhas de São Miguel, Faial e Flores, decisão justificada pelos elevados níveis de abundância da espécie. Por outro lado, foi interditada a caça à narceja-comum nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial, em resposta ao declínio das populações nidificantes.

De acordo com os dados divulgados pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, até ao final da época foram emitidas 2.011 licenças de caça, correspondentes a 1.896 caçadores distintos. Deste total, 1.905 licenças foram atribuídas a residentes e 106 a não residentes, valores que se mantêm alinhados com a média da última década.

A ilha de São Miguel concentrou o maior número de licenças (924), seguida da Terceira (371), Faial (162), Pico (138), São Jorge (117), Santa Maria (83), Flores (69) e Graciosa (41).

A presença de caçadores não residentes foi particularmente expressiva em algumas ilhas, com destaque para o Pico, onde representaram 23,2% das licenças emitidas, seguido de São Jorge (18%), Graciosa (9,8%) e Terceira (9,4%).

No que respeita à fiscalização, entre 1 de julho de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, os Serviços Florestais realizaram 218 ações de fiscalização, que totalizaram 1.087 horas de operação e 770 abordagens no terreno.

Durante estas operações foram registadas apenas oito infrações, maioritariamente relacionadas com horários interditos, falta de documentação ou caça em áreas proibidas, o que, segundo o Governo Regional, evidencia um elevado nível de cumprimento das regras por parte dos praticantes.

No âmbito destas ações foram ainda inquiridos 421 caçadores, correspondentes a 22,2% dos habilitados nesta época venatória. A maioria demonstrou satisfação com o modelo atual: 60,1% defendem a manutenção dos períodos de caça e 74,9% consideram adequados os limites diários de abate.

Nos próximos meses, o Governo dos Açores irá analisar os indicadores de monitorização das populações cinegéticas, os resultados dos abates e os pedidos de correção de densidade. Estes dados, aliados ao diálogo com organizações de caçadores, agricultores e entidades ambientais, servirão de base à definição do calendário da época venatória 2026/2027, que terá início a 1 de julho.

“O trabalho conjunto entre caçadores, técnicos e entidades parceiras está a fortalecer a resiliência do território e a preparar as ilhas para os desafios futuros”, sublinha António Ventura, acrescentando que “o compromisso e o respeito pela natureza continuam a ser a base para garantir ecossistemas equilibrados e uma atividade venatória alinhada com a sustentabilidade”.

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