Três projetos estratégicos para a agricultura dos Açores, focados na diversificação de culturas, na economia circular e no bem-estar animal, foram aprovados no Parlamento Europeu, representando um investimento global próximo de 1,6 milhões de euros.
Segundo uma nota de imprensa divulgada na sexta-feira, 20 de março, pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, as iniciativas visam preparar o setor agrícola açoriano para as novas exigências alimentares e ambientais, reforçando a sustentabilidade e a inovação na Região.
Citado no comunicado, o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, afirma que “hoje é um dia importante para os Açores”, sublinhando que a aprovação destas iniciativas “demonstra que a agricultura açoriana é uma força viva, inovadora e essencial para o desenvolvimento sustentável do arquipélago”.
Um dos projetos aprovados é o “CACAU AÇORIANO”, um estudo piloto com orçamento de 108 mil euros e duração prevista de 24 meses, que pretende avaliar a viabilidade agrícola e económica do cultivo de cacau (Theobroma cacao) na Região. Através da instalação de parcelas experimentais nas ilhas de São Miguel e Terceira, serão analisados solos, microclimas e custos de produção, com o objetivo de abrir caminho a uma nova fileira agrícola de valor acrescentado, associada ao chocolate artesanal e ao turismo agrícola.
Na área da sustentabilidade e da economia circular avança a segunda fase do projeto “Bio Filtragem”, dedicado ao tratamento e reutilização de resíduos provenientes de matadouros. Com um investimento estimado de 359 mil euros, a iniciativa prevê o recurso a soluções naturais, como plantas aquáticas e vermicompostagem acelerada, para transformar resíduos orgânicos em compostos agrícolas de elevada qualidade. O projeto, replicável nas nove ilhas, estima reduzir até 5.000 toneladas anuais de resíduos orgânicos não tratados até 2027.
A terceira iniciativa, “CALF FRIENDLY – Bezerros Felizes”, destina-se às explorações leiteiras das ilhas Terceira e São Miguel e conta com um orçamento de 1,13 milhões de euros para o período entre 2026 e 2028. O projeto promove a amamentação dos vitelos até aos três meses, a ordenha única diária e o uso de pastagens biodiversas, prevendo ainda a criação de Créditos Ambientais para compensar os produtores e a atribuição do selo europeu “Calf Friendly”.
Na nota de imprensa, António Ventura considera que estes projetos representam um claro “reconhecimento europeu da diversificação da agroprodução alimentar” nos Açores, contribuindo diretamente “para um carbono negativo, para a sustentabilidade dos solos, para o desperdício zero e para uma economia circular”.
Os três dossiês seguem agora para a Comissão Europeia, onde será desenvolvida a fase de enquadramento técnico e financeiro.
A Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação acrescenta que a submissão das propostas ao Parlamento Europeu resultou de um trabalho de cooperação institucional com o eurodeputado açoriano Paulo do Nascimento Cabral. Segundo António Ventura, esta colaboração “resultou num benefício direto para os açorianos”, ajudando a definir um rumo para o setor agrícola “ajustado aos consumidores, mais resiliente, mais diversificado e alinhado com os desafios ambientais do século XXI”.
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