ASSOCIAÇÕES AMBIENTAIS DEFENDEM MAIS FLORESTA NATIVA NOS AÇORES

Os Amigos dos Açores – Associação Ecológica e o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional do Ambiente defenderam o reforço da proteção e valorização das florestas do arquipélago, apelando ao aumento das áreas florestadas com espécies nativas e endémicas, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Floresta, assinalado a 21 de março.

Numa posição conjunta enviada às redações na quarta-feira, 18 de março, as duas associações sublinham a importância das florestas na mitigação das alterações climáticas e destacam a necessidade de valorizar o património arbóreo existente nos Açores, segundo uma nota de imprensa divulgada pelos Amigos dos Açores – Associação Ecológica.

Sete anos após o lançamento da petição que conduziu à aprovação, por unanimidade, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, do Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na região, as organizações consideram que o Dia Mundial da Floresta constitui uma oportunidade para reforçar a proteção das árvores e das florestas açorianas.

Na nota de imprensa, as associações subscrevem declarações do cientista italiano Stefano Mancuso, especialista em neurobiologia vegetal, que alertou que “sem um número suficiente de florestas não existe nenhuma possibilidade real de inverter a tendência de crescimento do CO₂”, defendendo mesmo que a desflorestação deveria ser considerada um crime contra a humanidade.

Neste contexto, defendem que os Açores devem apostar num aumento substancial das áreas florestadas, dando prioridade à plantação de espécies nativas e endémicas, com o objetivo de contribuir para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, como cheias e derrocadas.

As organizações saúdam também o trabalho dos voluntários que, ao longo dos anos, têm participado em ações de plantação e restauro ecológico no arquipélago. Destacam, em particular, o projeto desenvolvido pelos Amigos dos Açores numa parcela do Pinhal da Paz, cedida pela Direção Regional dos Recursos Florestais, onde decorrem iniciativas de recuperação ecológica ao longo de todo o ano, apontando-o como um possível projeto piloto para outras localizações.

Na mesma nota, as associações felicitam os peticionários, entidades e deputados regionais que contribuíram para a elaboração e aprovação da legislação que regula a classificação de arvoredo de interesse público nos Açores.

Por outro lado, apelam para que seja revista, “com a maior brevidade possível”, a classificação anteriormente atribuída ao arvoredo de interesse público, de acordo com as categorias e critérios definidos no Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A.

Apesar de aguardarem a disponibilização do modelo de requerimento previsto no artigo 15.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A, necessário para a apresentação formal de propostas de classificação, as duas entidades pretendem assinalar o Dia Mundial da Floresta sugerindo especial atenção a vários exemplares arbóreos considerados dignos de classificação no arquipélago.

Entre os exemplos destacados encontram-se um cedro-do-mato (Juniperus brevifolia) no campo de golfe das Furnas, um metrosídero (Metrosideros excelsa) no Jardim do Palácio de Santana, um dragoeiro (Dracaena draco) na Escola Secundária Antero de Quental e uma orelha-de-elefante (Enterolobium cyclocarpum) no Jardim António Borges.

A lista inclui ainda um eucalipto-limão (Corymbia citriodora) no Jardim Dr. António da Silva Cabral, em Vila Franca do Campo, um pinheiro-da-nova-caledónia (Araucaria columnaris) no Jardim da Universidade dos Açores, um eucalipto (Eucalyptus robusta) no Pinhal da Paz e uma palmeira-do-chile (Jubaea chilensis), também no Jardim António Borges.

Entre os casos referidos figura igualmente uma sumaúma (Ceiba speciosa), localizada no parque de estacionamento da Rua São Francisco Xavier, em frente à Pousada da Juventude, em Ponta Delgada, bem como a proposta de classificação da alameda de plátanos (Platanus acerifolia) na Povoação e do conjunto de dragoeiros (Dracaena draco) existente no Museu do Vinho, na Madalena do Pico.

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