ARTUR LIMA DEFENDE QUE BASE DAS LAJES DEVE CONTRIBUIR PARA O DESENVOLVIMENTO DOS AÇORES

O vice-presidente do Governo Regional dos Açores afirmou na Assembleia Legislativa que a Base das Lajes deve continuar a servir a segurança internacional, mas também contribuir para o desenvolvimento da Região e para o futuro de Portugal.

O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, defendeu que a Base das Lajes deve continuar a desempenhar um papel central na segurança internacional, mas também contribuir para o desenvolvimento da Região Autónoma. A posição foi expressa durante uma intervenção na Assembleia Legislativa dos Açores, segundo uma nota de imprensa divulgada pela Vice-Presidência do Governo Regional.

“A Base das Lajes deve continuar a servir a segurança internacional, mas deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal”, afirmou o governante.

Artur Lima considerou que a infraestrutura instalada na ilha Terceira “foi um dos pilares fundamentais da arquitetura de segurança euro-atlântica e de manutenção da paz na Europa e no mundo”.

Segundo o vice-presidente do executivo açoriano, a posição geográfica do arquipélago tem sido determinante para o papel estratégico das Lajes. A localização dos Açores “no centro das rotas aéreas e marítimas entre a Europa e a América” transformou a base “num ponto logístico essencial para operações militares, vigilância marítima, comunicações, transporte estratégico e apoio às forças da NATO”.

“Há uma realidade geográfica imutável. Os Açores, ao mesmo tempo a fronteira mais ocidental da Europa, são o centro nevrálgico do Atlântico”, sublinhou.

O governante recordou ainda a longa relação entre os Açores e os Estados Unidos, assinalando que a Região partilha “uma relação secular com os EUA”, construída através da diáspora e de valores comuns em várias questões globais.

Nesse contexto, destacou que a Base das Lajes tem sido uma peça fundamental nas negociações entre Portugal e os Estados Unidos, marcando profundamente a história dos Açores e, em particular, da ilha Terceira.

Artur Lima sustentou, no entanto, que ao longo dessas negociações a Região acabou por perder contrapartidas que considera justas. “A cada uma dessas negociações, a Região perdeu contrapartidas justas e devidas, porventura não sentidas pela República Portuguesa”, afirmou, acrescentando que “é inegável que os sucessivos Governos têm falhado, de forma sistemática, na defesa dos interesses dos Açores”.

O vice-presidente salientou também que a redução da presença norte-americana na base não diminuiu a sua importância geoestratégica. “O downsizing da presença norte-americana não significou um downsizing da sua importância geoestratégica”, declarou.

Ainda assim, alertou que a redução de pessoal teve consequências significativas para a Região. “A redução do pessoal não pode reduzir-se apenas a uma decisão operacional”, tendo provocado “consequências económicas, sociais e estratégicas profundas” numa economia regional que durante décadas esteve integrada numa lógica estratégica atlântica.

Neste contexto, defendeu que o Governo da República não pode limitar-se a assistir a essa realidade.

Durante o debate parlamentar, que classificou como revelador de “uma total falta de senso estratégico e tempestividade” por parte dos seus proponentes, Artur Lima considerou também uma “imprudência” discutir a revisão do Acordo de Cooperação e Defesa no atual contexto internacional.

O governante referiu ainda o papel da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), recordando que em 2008 uma comissão eventual da Assembleia Legislativa, por proposta do CDS, recomendou a instalação de uma delegação da instituição nos Açores, preferencialmente na ilha Terceira.

Artur Lima reafirmou que a FLAD, criada no âmbito do acordo bilateral de 1983 entre Portugal e os Estados Unidos, “existe devido aos Açores e à Base das Lajes”, defendendo que a fundação deve colaborar de forma efetiva com o arquipélago, nomeadamente com o seu ecossistema de investigação e inovação.

Para o vice-presidente do executivo açoriano, “Portugal é uma nação atlântica com profundidade estratégica, e os Açores são a peça-chave desse posicionamento geopolítico”.

“A Base das Lajes, chão açoriano, deve continuar a servir a segurança internacional, mas deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal”, reiterou.

Artur Lima concluiu sublinhando que “a Autonomia não é um conceito abstrato, exerce-se aqui, no coração do Atlântico”, defendendo que o futuro da Base das Lajes deve ser construído “com a tinta do progresso para a nossa Região Autónoma” e com a garantia de que “o bem-estar do nosso povo esteja acima de qualquer conveniência nacional”.

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