
A ilha do Corvo recebe até 29 de março a IV edição do Festival das Reservas da Biosfera de Portugal, um evento que pretende promover territórios sustentáveis e valorizar o património natural, cultural e humano. A sessão de abertura foi presidida pelo Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel.
Segundo uma nota de imprensa da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, divulgada na sexta-feira, 13 de março, o governante destacou, na abertura do evento, a importância do festival, afirmando que este “se tem vindo a afirmar como uma referência na promoção de territórios sustentáveis e na valorização do património natural, cultural e humano, a nível nacional”.
Alonso Miguel sublinhou ainda o significado especial desta quarta edição, realizada na ilha do Corvo, por encerrar um ciclo iniciado há quatro anos nos Açores com o objetivo de dar visibilidade às quatro Reservas da Biosfera da Região.
O governante recordou que a primeira edição decorreu na ilha Graciosa, em 2023, tendo o festival passado pelas Fajãs de São Jorge em 2024 e pela ilha das Flores em 2025, chegando agora ao Corvo.
Durante a intervenção, Alonso Miguel lembrou que o Corvo foi reconhecido como Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2007, sendo, a par da Graciosa, a segunda Reserva da Biosfera mais antiga de Portugal.
“O Corvo encerra um território pequeno em área emersa, mas enorme do ponto de vista da riqueza do seu património natural, cultural e social”, afirmou, referindo que a ilha, com apenas 17,1 quilómetros quadrados, apresenta uma paisagem de rara beleza, marcada pela imponência do Caldeirão e pela presença de ecossistemas de elevado valor ecológico.
O governante destacou igualmente a dimensão cultural da ilha e a capacidade da comunidade local para preservar tradições e práticas culturais únicas, considerando o Corvo “um dos exemplos mais expressivos da relação harmoniosa entre o homem e a natureza”.
Alonso Miguel salientou também que o festival não se limita à ilha anfitriã, contando com eventos paralelos nas restantes Reservas da Biosfera do país, incluindo as dos Açores, reforçando o espírito de cooperação e de trabalho em rede.
Na ocasião, o secretário regional destacou o reconhecimento internacional do património natural dos Açores, lembrando que quatro ilhas do arquipélago estão classificadas como Reservas da Biosfera.
A este reconhecimento juntam-se outras distinções relevantes, como a classificação de 41 áreas na Rede Natura 2000, a designação de 13 sítios RAMSAR, o reconhecimento das Terras do Priolo com a Carta Europeia de Turismo Sustentável, a classificação das ilhas do Triângulo como Bio Região e a integração do Geoparque Açores na Rede Mundial de Geoparques da UNESCO.
Segundo a mesma nota de imprensa, Alonso Miguel referiu ainda que os Açores são uma das poucas regiões do mundo classificadas como MIDAS – Multi-Internationally Designated Areas, concentrando simultaneamente sítios Ramsar, Sítios Património Mundial, Reservas da Biosfera e geoparques mundiais da UNESCO.
O governante recordou também a certificação dos Açores como o primeiro arquipélago do mundo classificado como Destino Turístico Sustentável pela EarthCheck, atualmente com certificação de nível ouro.
Apesar destas distinções, Alonso Miguel alertou para a responsabilidade coletiva de proteger este património natural, salientando que se trata de um recurso “tanto valioso como frágil”, cuja proteção exige reflexão e adaptação contínua.
Neste contexto, destacou o trabalho desenvolvido pelo Governo dos Açores na preservação do património natural, através da criação da Rede Regional de Áreas Protegidas, dos Parques Naturais de Ilha, da Rede Regional de Centros de Interpretação Ambiental e da implementação de diversos instrumentos de gestão territorial.
O governante referiu ainda que cerca de 45% do território terrestre da ilha do Corvo está integrado no Parque Natural de Ilha, sublinhando o papel das comunidades locais na gestão das Reservas da Biosfera.
“As Reservas da Biosfera são territórios dinâmicos, com comunidades reais, histórias profundas e um potencial extraordinário de desenvolvimento sustentável. No fundo, a Reserva da Biosfera somos todos nós”, afirmou.
Durante os próximos dias, o festival contará com um programa diversificado que inclui percursos interpretativos, eventos desportivos, momentos musicais, cinema, palestras, iniciativas de educação ambiental dirigidas a crianças e jovens e uma visita à Reserva da Biosfera das Flores.
Segundo Alonso Miguel, o objetivo é que o festival funcione como uma plataforma de diálogo, ação e compromisso com um modelo de desenvolvimento sustentável, reforçando o sentimento de pertença das comunidades às Reservas da Biosfera.
© GRA | Foto: SRAAC | PE
