
A Representação Parlamentar do PAN/Açores apresentou na Assembleia Legislativa Regional um projeto de resolução que propõe a extensão do serviço de vídeointerpretação em tempo real entre pessoas surdas e ouvintes a toda a Administração Pública Regional.
Segundo uma informação à imprensa divulgada ontem, segunda-feira, 9 de março, pelo PAN/Açores, a iniciativa pretende responder às dificuldades que a comunidade surda continua a enfrentar no acesso aos serviços públicos, sobretudo devido à escassez de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (LGP).
A proposta visa garantir que a comunicação acessível deixe de ser exceção e passe a constituir uma prática regular nas instituições públicas, permitindo traduções em tempo real que viabilizem atendimentos administrativos, contactos com serviços sociais e outros atos públicos sem depender da presença física de um intérprete.
De acordo com o partido, a proposta baseia-se também na experiência já recolhida em serviços onde esta solução tecnológica já está disponível, nomeadamente no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) e no Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores.
Nesses contextos, refere a nota de imprensa, tem sido possível verificar uma maior agilização dos processos, redução dos tempos de espera e melhoria na qualidade da comunicação entre técnicos e cidadãos, traduzindo-se numa maior eficácia das respostas prestadas.
O porta-voz e deputado regional do PAN/Açores, Pedro Neves, defende que o alargamento desta ferramenta permitirá assegurar a acessibilidade linguística como elemento estruturante do serviço público, promovendo a igualdade de oportunidades e facilitando a participação plena e independente das pessoas surdas na vida social e cívica da Região.
Segundo o parlamentar, a combinação de recursos humanos com soluções digitais representa uma forma eficaz de colmatar carências imediatas, otimizar custos e tempo e ampliar a cobertura territorial, sobretudo nas ilhas onde é mais difícil garantir a presença física de profissionais especializados.
“A Administração Pública deve dispor, com carácter alargado e permanente, de meios que assegurem que qualquer surdo possa ser compreendido e compreenda os interlocutores das instituições públicas, com dignidade e eficácia, colmatando-se uma lacuna e fomentando uma comunicação inclusiva e próxima dos cidadãos, enquanto prática recorrente e contributo efectivo para uma sociedade mais justa”, afirmou Pedro Neves, citado na nota de imprensa.
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