
Os Açores decidiram caprichar este ano, levando à BTL (“Feira da Alegria”) os melhores cenários possíveis, de modo a conquistar a vinda de mais turistas para a Região. Não faltou o já mundialmente conhecido queijo de São Jorge, a alcatra da Terceira, os licores e os ananases Micaelenses e outras iguarias dos dezanove Concelhos presentes na respetiva feira.
Não foi por acaso que se investiu 667,000, 00 euros (seiscentos e sessenta e sete mil euros, repito por extenso, para poderem verificar melhor o alcance da intenção) na preparação do pavilhão, para que tudo ficasse nos conformes…
Isto sem esquecer o que alguém me lembrou de acrescentar também. Viagens, estadia, comes e bebes e troca de prendas entre Governo e Autarquias… Considerando os Membros do Governo, Presidentes de Câmaras, Vereadores e colaboradores presentes no evento, a coisa não deve estar longe de rondar o milhão de euros…
Só que, um investimento desta natureza, tem forçosamente de trazer retorno! Principalmente quando estamos falando de uma região, reconhecidamente pobre e endividada até à raiz dos cabelos. Diz a oposição, porque eu confesso, que pouco entendo dessa contabilidade… Posso apenas dizer, que a minha cá por casa, está cada vez mais difícil.
No entanto, embora leigo nessa matéria, faz-me confusão que se promova a vinda para uma Região situada no meio do atlântico, logo cercada pelo mar, mas não se lhe ofereçam os meios para cá chegar! Refiro-me naturalmente ao meio de transporte, resumido no momento, a uma low Cost (Ryanair) em vésperas de bater a asa para outras localidades e duas companhias aéreas (SATA E TAP) ambas na falência, aplicando tarifas insuportáveis, enquanto esperando a hipotética venda aos privados que possam estar interessados em fazê-las sobreviver.
Está a Sra. Secretária do Turismo e Mobilidade muito positiva, quanto às alternativas para a solução, e logo, o incremento do turismo que tem vindo a decrescer mês após mês, mas por outro lado, estão preocupados os empresários que investiram nos hotéis, alojamento local e outras áreas que indiretamente sobrevivem desta atual galinha dos ovos de ouro, a começar pelo emprego, tanto no período intensivo como no sazonal. Inclusive, já se fala no avançar com pedidos de apoio ao Governo, tal como se faz para a Agricultura…
Só que as vacas vão produzindo o leite e a carne para a nossa sustentabilidade, ao passo que a hotelaria, se vazia, só cria teias de aranha…
Fernando Mendonça
