
A Representação Parlamentar do PAN/Açores manifestou o seu repúdio pela produção de um documentário dedicado às “Cavalhadas de São Pedro”, na Ribeira Grande, considerando que a obra promove uma visão acrítica da iniciativa e ignora os impactos negativos sobre os animais envolvidos.
A Representação Parlamentar do PAN/Açores criticou a produção de um documentário sobre as “Cavalhadas de São Pedro”, no concelho da Ribeira Grande, por entender que o mesmo “visa enaltecer esta prática, sem confrontar criticamente os impactos negativos sobre os animais envolvidos”. Em informação à imprensa divulgada ontem, quarta-feira, 4 de março, o partido considera que a iniciativa contribui para “a perpetuação de uma narrativa que mascara a realidade e desvaloriza a necessidade de proteger seres sencientes”.
Segundo o PAN/Açores, o evento decorre em pleno verão, sujeitando os cavalos a longos percursos pelas ruas da cidade sob temperaturas elevadas e piso quente. O partido alerta que o calor intenso, o contacto prolongado com o asfalto aquecido, bem como o ruído e a agitação próprios de um desfile, constituem “factores de stress e risco para animais que são, acima de tudo, seres sencientes”.
Na mesma nota, a estrutura parlamentar recorda que, na sequência de diversas denúncias de situações de maus-tratos e até de morte de animais, tem vindo a manifestar-se contra a prática, apelando ao cumprimento dos preceitos de bem-estar animal.
O deputado e porta-voz do partido, Pedro Neves, reafirma a oposição à manutenção desta tradição secular, defendendo que “A longevidade histórica de uma prática não a torna imune ao escrutínio ético. A sociedade evolui, e com ela devem evoluir também as suas manifestações culturais”.
O parlamentar critica ainda o que classifica como “romantização” destas iniciativas, agora reforçada pela produção do documentário, que, no seu entender, poderá contribuir para uma narrativa “acrítica e idealizada do evento, omitindo o impacto real que produz nos equídeos”.
Pedro Neves acrescenta que “Valorizar culturalmente uma prática que assenta na utilização de animais para fins recreativos, descurando o seu conforto e segurança, é perpetuar uma visão ultrapassada da relação entre humanos e animais”. O deputado defende que as tradições devem ser reavaliadas “à luz dos princípios contemporâneos de respeito, compaixão e responsabilidade”, não devendo ser promovidas nem romantizadas através de produções televisivas que, sustenta, ignoram o sofrimento animal.
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