BLOCO ACUSA ADMINISTRAÇÃO DA SATA DE ATUAR COMO “COMISSÃO LIQUIDATÁRIA”

O Bloco de Esquerda dos Açores (BE/Açores) acusou esta quinta-feira o atual conselho de administração da SATA de estar a agir como uma “comissão liquidatária”, alegando que a gestão se limita a executar decisões do Governo Regional que prejudicam a companhia, em vez de defender os interesses estratégicos da empresa e da Região. A posição foi transmitida na sequência de audições parlamentares sobre a privatização do ‘handling’, que contaram com a participação dos representantes dos trabalhadores.

Em comunicado de imprensa divulgado ontem, o BE/Açores revela que, durante a audição do presidente do Conselho de Administração da SATA, o deputado António Lima questionou Tiago Santos se a privatização do ‘handling’ constituiria uma boa decisão de gestão para o Grupo e se esta medida seria tomada caso não fosse imposta pelo acionista.

De acordo com a nota do partido, a resposta do CEO da SATA confirmou que o ‘handling’ representa o único ativo do Grupo capaz de funcionar como “moeda de troca” para obter da Comissão Europeia a autorização necessária para uma ajuda de Estado ao Grupo SATA.

Perante esta justificação, António Lima concluiu que “a decisão será prejudicial para a SATA”. O deputado do Bloco considerou que a postura do conselho de administração se assemelha mais ao trabalho de uma “comissão liquidatária, que se limita a executar a decisão do Governo Regional, mesmo que isso seja prejudicial”, em vez de se focar na defesa da sustentabilidade da empresa.

O partido salienta ainda que as preocupações manifestadas pelo Bloco foram partilhadas pelos representantes dos trabalhadores durante as audições na comissão parlamentar. Segundo o comunicado, a Comissão de Trabalhadores e os sindicatos SITAVA e SINTAC demonstraram o mesmo receio em relação às consequências negativas que a privatização do ‘handling’ poderá acarretar, não só para a sustentabilidade da empresa, mas também, e “acima de tudo, para a mobilidade interilhas”.

Relativamente à segurança dos trabalhadores que transitarão para a nova empresa de ‘handling’ — que será criada e posteriormente privatizada —, António Lima sublinhou que os receios de despedimentos coletivos têm fundamento. O deputado lembrou situações ocorridas noutros aeroportos do país nos últimos anos, nomeadamente o despedimento de 300 trabalhadores pela Menzies em Lisboa e de 400 trabalhadores pela Portway em Faro, exemplos que, segundo o BE/Açores, justificam a apreensão com o futuro dos postos de trabalho na região.

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