
O novo modelo de transporte marítimo de mercadorias nos Açores está já em funcionamento, anunciou a Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, durante o encerramento do Seminário dos Transportes, na ilha Terceira.
A Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, afirmou na passada sexta‑feira, na ilha Terceira, que o novo modelo de transporte marítimo de mercadorias “já está em funcionamento”, resultando do estudo promovido pelo Governo Regional. A informação foi divulgada ontem, segunda‑feira, 2 de fevereiro de 2026, através de uma nota de imprensa da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas.
A governante falava na sessão de encerramento do Seminário dos Transportes “Transportes Marítimos: Impacto na Economia Açoriana”, promovido pela Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, na Praia da Vitória. Segundo referiu, o estudo realizado permitiu uma abordagem “pragmática” e centrada em questões operacionais, conduzindo à implementação imediata de um novo modelo.
“Hoje já temos resultados concretos, como escalas semanais em todas as ilhas, mais equipamentos nos portos e ajustes na operação portuária”, afirmou Berta Cabral, acrescentando que o Governo já implementou o “cenário 2” e avança agora “de forma progressiva e segura, para o cenário misto otimizado”.
A Secretária Regional sublinhou que o transporte marítimo de mercadorias é “um dos pilares estruturantes da economia, da coesão territorial e do funcionamento regular da Região Autónoma dos Açores”, lembrando que se trata de um setor complexo, onde “não existem soluções mágicas” e onde não podem ocorrer “disrupções que coloquem em risco o abastecimento público”.
Num arquipélago “fragmentado, ultraperiférico e sujeito a constrangimentos naturais permanentes”, o transporte marítimo assume, segundo a governante, um papel que ultrapassa a logística: “É um serviço essencial, determinante para o abastecimento das ilhas, para a competitividade das empresas, para o controlo dos custos de contexto e para a estabilidade do mercado interno”.
Berta Cabral recordou que, durante anos, o setor enfrentou “irregularidade de escalas, assimetrias no serviço entre ilhas, falta de previsibilidade, constrangimentos operacionais e um modelo que nem sempre respondia às reais necessidades do tecido económico regional”. Por isso, o Governo promoveu uma mudança estrutural, que, reconheceu, “tem dores de crescimento”, mas que nunca poderá comprometer o abastecimento.
A governante destacou ainda que o executivo manteve sempre princípios como “regularidade, previsibilidade, cobertura territorial equilibrada e eficiência operacional”. Aproveitou também para agradecer à Comissão Técnica Independente — composta por João Carvalho, Ribeiro Pinto e Francisco Silva — pelo acompanhamento “profissional, dedicado e imparcial” do estudo.
Segundo a nota de imprensa, a maior regularidade das ligações permitiu às empresas “planear melhor a sua atividade, reduzir ruturas de stock, otimizar cadeias de abastecimento, diminuir custos indiretos associados à incerteza logística e valorizar a produção endógena”.
Em paralelo, o Governo concretizou investimentos estratégicos na modernização das infraestruturas portuárias e dos equipamentos. Desde 2021, a Portos dos Açores investiu mais de 27 milhões de euros em equipamentos, estando mais de 63 milhões em execução e previstos até 2028, incluindo a aquisição de dois rebocadores. No que respeita às infraestruturas, os investimentos ultrapassam os 201 milhões de euros, com mais de 316 milhões em curso e previstos até final de 2028.
A Secretária Regional destacou também o reforço da articulação entre entidades públicas e privadas e o “caminho de organização estrutural da operação portuária”, com uma segregação mais clara de funções e melhor otimização de recursos. Neste âmbito, lembrou que está em curso o processo preliminar para a alienação das participações públicas nas empresas OperPDL, OperTER e OperTRI.
Berta Cabral assinalou ainda a necessidade de melhorar a articulação entre o tráfego local, a cabotagem insular e as cadeias logísticas nacionais e internacionais, fator que considerou “particularmente relevante para setores exportadores e para empresas dependentes de matérias‑primas importadas”.
“Hoje temos mais navios, mais ligações, maior previsibilidade, melhor eficiência nas operações e maior capacidade de resposta às necessidades das nossas populações”, afirmou, defendendo que estas melhorias contribuem para reduzir assimetrias e promover maior equidade territorial.
Sobre o transporte marítimo de passageiros, destacou a recuperação da Atlânticoline, “hoje uma empresa saudável e um exemplo para todo o Setor Público Empresarial dos Açores”, bem como a consolidação do modelo baseado em Obrigações de Serviço Público, garantindo mobilidade interilhas com previsibilidade e responsabilidade financeira.
Berta Cabral concluiu reafirmando que o compromisso do Governo é encarar o transporte marítimo como “uma política pública integrada, onde logística, economia, coesão territorial e sustentabilidade caminham lado a lado”, assegurando que o executivo continuará a investir “onde é estratégico” e a trabalhar em articulação com operadores, câmaras do comércio e agentes económicos.
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