AMARGOS DOS NOSSOS AREAIS, NA PRAIA DA VITÓRIA!

Sou acusado de contestar quase continuamente, tudo o que gira à volta do mar da nossa Praia. Não o faço por gosto, por querer estar no contra, ou por razões políticas… mas sempre com o sentido de alertar, de corrigir e, nunca sem antes, consultar e ouvir a opinião dos homens do mar, da sua experiência ao longo da sua já longa vivência. Fi-lo com anteriores elencos camarários e faço-o novamente, mesmo que não seja do agrado dos que estão no momento conduzindo os destinos da Autarquia.

E sabem porquê? Porque eu nasci na Praia, nela cresci, e nela quero ficar até ao resto dos meus dias.

Da Praia, poderão dizer que não é só mar… Não é só possuidora da mais bela baía dos Açores. Tem ruas, tem monumentos, tem Nemésio, tem comércio, embora só nos seus extremos…

Mas a Praia tem, queiramos quer não, a sua maior riqueza no mar que de noite e de dia, nos presenteia com o perfume da maresia e o encanto das suas ondas, que ora mansas, ora bravas, regalam a vista dos que nos visitam e proporcionam uma invejável qualidade de vida aos que cá estão e escolheram a Praia para viver.

A natureza concedeu-nos esse bem que tantos gostariam de possuir! Temos de o aproveitar, dando-lhe toda a dignidade que merece.

Erros foram cometidos ao longo dos anos. Admito que nunca intencionalmente, antes pelo contrário, sempre na perspetiva do melhor para a nossa Praia. Aprendamos com esses erros. Não a estraguemos mais. Consultemos os técnicos, mas ouçamos também os entendidos que gostam da nossa Praia, e estão dispostos a dar o seu contributo, sem outra razão, que não seja por AMOR à sua terra. Não se faça só por fazer, por remedeio, ou porque os meios são reduzidos. “Quem veste de ruim pano, veste duas vezes no ano” É como todos sabem, um ditado antigo do nosso povo.

A Praia Grande não podia ter ficado por tanto tempo à espera, que se pusesse o Dragoeiro a funcionar. Nem continuar eternamente com camiões a cilindrar o seu areal, transformando-o em poeira, que ao sabor do vento, voa sem medida para a Avenida Álvaro Martins Homem, por vezes porta adentro dos próprios bares.

A praia da Riviera outro ex-libris da nossa baía, com memorável história conhecida pelos mais antigos praienses e não só, apresenta no momento um estado degradável de praia completamente abandonada ao seu destino… Ou melhor dito, do sabor das ondas, que se vão entretendo com o mal concebido Passadiço, já parcialmente destruído. Tudo porque se quis dar sequência a um projeto recebido, mas não finalizado por quem terminava o seu mandato. Ânsia de fazer, penso que também de poupar, quando se devia ter optado por recuar os cinquenta metros sugeridos por quem entendia, mesmo que fosse preciso expropriar algum terreno. Agora só resta fazer como não foi teito, lembrando o ditado já citado: “Quem veste de ruim pano, veste duas vezes por ano!”

São relatos amargos que aqui retrato, mas que não podem ficar hibernados dentro do peito de quem adora a Praia e os areais da sua baía.

Fernando Mendonça