A Representação Parlamentar do PAN/Açores entregou um requerimento ao Governo Regional a pedir esclarecimentos sobre o alegado abate de dezenas de árvores centenárias no Cerrado das Covas, na sequência de uma petição pública subscrita por cidadãos, segundo informação divulgada hoje em nota de imprensa.
O PAN/Açores solicitou ao Governo Regional esclarecimentos urgentes sobre o alegado abate de cerca de duas dezenas de árvores centenárias, bem como de outras de porte médio e pequeno, no âmbito da construção da variante às Capelas. O pedido surge após a entrega, ontem, de um requerimento motivado por uma petição pública que denuncia a situação, de acordo com a nota de imprensa divulgada esta quarta‑feira pela Representação Parlamentar do partido.
A empreitada, que já tinha merecido críticas do PAN em fases anteriores, volta agora ao centro do debate devido às preocupações manifestadas pela população. Segundo o partido, a petição alerta para o abate de “mais de duas dezenas de árvores centenárias de grande porte” no nó do Cerrado das Covas, na freguesia das Capelas.
No requerimento, o PAN/Açores pretende obter esclarecimentos sobre o número exato de árvores a abater em todo o projeto, o seu estado fitossanitário e as alternativas estudadas pela tutela, como o transplante dos exemplares ou eventuais alterações ao traçado. A nota de imprensa refere que as peças do projeto mencionam o corte de várias espécies de grande porte — “castanheiros, carvalhos, plátanos, acácias, pomares de citrinos e amoreiras” — e que, em algumas zonas, não é possível identificar o número de indivíduos afetados. O partido recorda que o quadro legislativo permite ajustar o traçado para evitar danos ambientais irreversíveis.
Outra preocupação prende‑se com o impacto sobre o morcego‑dos‑Açores, a única espécie endémica de morcego da Região, classificada como criticamente em perigo. O PAN quer saber que medidas estão previstas para mitigar os efeitos da obra, tendo em conta que esta espécie utiliza troncos de árvores como abrigo e poderá estar presente na área intervencionada.
O deputado Pedro Neves sublinha, citado na mesma nota, que “o abate destas árvores provocará um impacte ambiental irreversível, que não será compensado por plantações futuras ou por medidas meramente mitigadoras”. Para o parlamentar, “face à gravidade da situação, exigimos transparência, responsabilidade e uma avaliação rigorosa das alternativas possíveis”. Neves acrescenta ainda que “o desenvolvimento infraestrutural não pode ser feito à custa da destruição de elementos naturais que constituem parte integrante da identidade e da qualidade de vida da comunidade local”.
O PAN/Açores aguarda agora a resposta do Governo Regional, defendendo que a proteção do património natural deve ser uma prioridade em qualquer intervenção pública.
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