
A criação de uma reserva municipal dos ecossistemas de surf na ilha Graciosa é apresentada como uma medida estratégica para a proteção integrada do litoral, dos fundos marinhos e das zonas de ondas, enquadrada num modelo de desenvolvimento sustentável alinhado com a economia azul e com o estatuto da ilha como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO.
De acordo com uma nota de imprensa enviada esta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, às redações pela organização do projeto Save Azores Waves, a futura reserva municipal visa salvaguardar não apenas as zonas de prática de surf, mas também os ecossistemas costeiros associados, considerados essenciais para a biodiversidade, a qualidade ambiental e o equilíbrio costeiro da Graciosa.
Segundo o comunicado, a área a proteger inclui o areal da Praia, a baía da Lagoa, a baía do Calhau Miúdo, a baía da Barra e o Porto Afonso, abrangendo zonas litorais, fundos marinhos e recifes cuja preservação é determinante para a sustentabilidade ambiental da ilha.
A nota de imprensa refere ainda que a criação da reserva decorre da assinatura de uma Carta de Compromisso entre a Organização Não Governamental Azores Sea Alliance, no âmbito do projeto Save Azores Waves, com homologação e apoio internacional da Save the Waves Coalition. Este enquadramento internacional resulta do facto de os Açores integrarem a Surf Protected Area Network.
Este reconhecimento permite, segundo o documento, o desenvolvimento de iniciativas de literacia oceânica orientadas para a proteção do mar e dos seus recursos, bem como a criação de áreas protegidas para o surfing, com o objetivo de alcançar, no futuro, o estatuto de uma ou mais reservas mundiais de surf nos Açores.
A reserva municipal dos ecossistemas de surf da Graciosa é apresentada como um contributo direto para a economia azul, promovendo um modelo de desenvolvimento sustentável que valoriza os desportos de deslize de ondas e o turismo de natureza, em consonância com o estatuto da ilha como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO.
A implementação desta reserva contribuirá igualmente para o ordenamento do território do arquipélago, para a mitigação de impactos ambientais e para o envolvimento da comunidade local na gestão responsável dos recursos naturais, garantindo benefícios ambientais, sociais e económicos a longo prazo, sustenta a organização.
No comunicado, o Save Azores Waves destaca ainda que a criação de Reservas Municipais de Ecossistemas de Surf nos Açores representa um primeiro passo essencial para a proteção integrada e coerente do litoral do arquipélago. Estes ecossistemas, que incluem ondas, zonas costeiras, fundos marinhos e sistemas naturais associados, são considerados recursos ambientais, culturais e económicos de elevado valor.
Quando articuladas entre si, acrescenta a nota de imprensa, estas reservas municipais criam as bases para uma futura Reserva Regional, alinhada com os objetivos do Programa Regional Blue Azores, apoiado pelo Governo Regional dos Açores, pela Fundação Oceano Azul e pelo Instituto Waitt, que partilham a visão de “proteger, promover e valorizar o capital natural marinho dos Açores”.
Esta abordagem, conclui o comunicado, reforça a resiliência ambiental face às alterações climáticas, valoriza os Açores como destino de turismo de natureza e de desportos de ondas de baixo impacto e promove a cooperação intermunicipal e regional, assegurando benefícios duradouros para as gerações presentes e futuras.
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