
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, visitou esta terça‑feira a ilha do Faial acompanhado pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, para aprofundar o conhecimento sobre as capacidades científicas da Região e destacar o papel estratégico dos Açores no Atlântico, segundo nota de imprensa da Presidência do Governo Regional.
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, esteve esta terça‑feira no Faial, na continuidade do roteiro de ciência e inovação iniciado na passada sexta‑feira em São Miguel e que incluiu igualmente uma passagem por Santa Maria. De acordo com a nota de imprensa divulgada pela Presidência do Governo Regional, a deslocação teve como objetivo reforçar o conhecimento sobre as capacidades científicas e tecnológicas instaladas no arquipélago, bem como sublinhar o potencial estratégico dos Açores no contexto do mar e da projeção atlântica de Portugal.
No Faial, a agenda centrou‑se no domínio do mar, começando com uma visita ao Instituto OKEANOS, da Universidade dos Açores, dedicada à investigação em ciências marinhas. Seguiu‑se uma deslocação à obra do Tecnopolo – MARTEC, infraestrutura em desenvolvimento que pretende reforçar a ligação entre investigação, inovação e economia do mar. O programa incluiu ainda um ‘briefing’ do Secretário Regional do Mar e das Pescas, Mário Rui Pinho, sobre “Questões Tecnológicas do Mar”, com enfoque nos desafios e oportunidades do setor.
Estas iniciativas inserem‑se num investimento estratégico apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da componente C10‑i04‑RAA – Desenvolvimento do “Cluster do Mar dos Açores”, que representa um apoio financeiro de 48,1 milhões de euros. O investimento visa reforçar infraestruturas científicas fixas e móveis para investigação marinha, num território marcado pela dispersão geográfica, pela vasta Zona Económica Exclusiva e pelo afastamento dos grandes centros de investigação continentais.
Entre os projetos previstos está a construção de um navio moderno de investigação, equipado com tecnologia avançada e elevado desempenho energético, destinado a responder às necessidades atuais de monitorização e estudo do oceano. Serão ainda incorporados dois módulos operacionais — um de arrasto e um ROV (veículo operado remotamente) — e criado um centro experimental de investigação e desenvolvimento ligado ao mar, partilhado entre instituições científicas e empresas.
Este centro integrará uma “incubadora azul” e um centro de aquicultura dos Açores, dinamizando áreas como pescas, biotecnologia marinha, biomateriais e tecnologias do mar. A execução do investimento deverá estar concluída até junho de 2026.
José Manuel Bolieiro enquadrou este trabalho no papel atlântico dos Açores e na dimensão marítima do país, afirmando que “o país inteiro, se conhecer a dimensão inteira do seu território, designadamente através dos Açores, a sua dimensão marítima, a sua projeção atlântica, o seu domínio espacial, é um grande país no contexto europeu”. Para o Presidente do Governo, esta dimensão “confere responsabilidades” no investimento estratégico e no aprofundamento do conhecimento sobre o potencial nacional, com impacto europeu e global, “desde logo na relação transatlântica”.
O líder do executivo açoriano sublinhou ainda que “a ciência, a tecnologia e a capacidade de inovação darão bons impulsos” ao crescimento económico e à competitividade, defendendo que é essencial trabalhar com base no conhecimento das capacidades já instaladas e do potencial por desenvolver. “É o conhecimento deste potencial que nos congrega em sinergias para reforçar estas capacidades”, afirmou.
Reconhecendo o papel do PRR nesta fase, Bolieiro alertou para a necessidade de preparar o futuro: “tendo em conta o seu fim, é preciso começar a delinear estratégias para novos fundos, novas oportunidades”, garantindo continuidade e retorno do investimento. A ambição, disse, passa por “potenciar retorno de investimento, de desenvolvimento, de competitividade, segurança e defesa, para Portugal”, reforçando que “os Açores são esta referência” e que “o mar português é imenso no contexto da União Europeia”.
A visita contou ainda com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, da Reitora da Universidade dos Açores, Susana Mira Leal, e do Diretor do Instituto OKEANOS, Gui Menezes, evidenciando a articulação entre Governo, autarquia e academia na afirmação do Faial como polo de conhecimento e inovação ligados ao mar.
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