PS/AÇORES EXIGE EXPLICAÇÕES SOBRE FIM DAS CARTAS PARA MARCAÇÃO DE CONSULTAS NO HOSPITAL DA TERCEIRA

O Grupo Parlamentar do PS/Açores pediu esclarecimentos ao Governo Regional sobre o fim do envio de cartas para marcação de consultas no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT), medida anunciada a 29 de dezembro e implementada a 1 de janeiro sem período de transição.

O Grupo Parlamentar do PS/Açores apresentou terça‑feira um requerimento a solicitar esclarecimentos ao Governo Regional sobre a decisão do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) de deixar de enviar cartas para marcação de consultas a partir de 1 de janeiro de 2026. A iniciativa surge na sequência do anúncio feito pelo hospital nas suas redes sociais no passado dia 29 de dezembro. A informação consta de uma nota de imprensa divulgada esta quarta-feira pelo grupo parlamentar socialista.

O líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, afirmou que o partido foi “surpreendido por este anúncio, em período natalício, a apenas dois dias da sua implementação, sem qualquer aviso prévio, nem tão pouco qualquer salvaguarda de período transitório para que os utentes se possam adaptar”. O deputado alertou para o impacto da medida, sobretudo entre a população mais envelhecida.

“É sabido por todos que muita população, sobretudo a mais envelhecida, não utiliza smartphones ou a aplicação My Saúde Açores e, por isso, terá mais dificuldade em ser informada sobre a marcação de consultas, o que pode até piorar os cuidados de saúde a essas pessoas”, sublinhou.

Embora reconheça a importância da digitalização e de ferramentas como a aplicação My Saúde Açores, Berto Messias considera que “tem de ser garantido que a informação chega às pessoas que não utilizam esse tipo de mecanismos, coisa que não acontece, tendo em conta as informações que o Hospital divulgou”.

O PS/Açores dirigiu ao Governo Regional um conjunto de questões sobre a decisão, incluindo “as razões que motivam esta decisão; quais os critérios definidos; qual o valor mensal pago pelo HSEIT no âmbito da despesa com as cartas para marcação de consultas; ou ainda quais os critérios utilizados para a definição de ‘utentes com maior dificuldade na utilização da app My Saúde Açores ou na leitura de SMS’”.

O partido quer ainda saber “como pode o HSEIT garantir que quem deixou de receber cartas conseguirá utilizar automaticamente a aplicação ou ter acesso a SMS”, bem como o número de utentes já registados na aplicação My Saúde Açores. Questiona também por que motivo a informação foi divulgada “a apenas dois dias da implementação da medida referida, em período de festas natalícias, sem qualquer período transitório”.

Para o PS/Açores, a modernização dos serviços públicos deve ser feita “com inclusão, bom senso e respeito pelos utentes, sobretudo pelos mais vulneráveis”. Berto Messias conclui que “a inovação não pode ser sinónimo de exclusão, e a digitalização tem de servir as pessoas, não afastá‑las do acesso aos cuidados de saúde”.

© PS/A | Foto: PS/A | PE