
Dizia-me hoje uma moça simpatiquíssima, sorriso nos lábios, profissional competente! O Sr. já não tem idade para se consumir a tratar de todas essas coisas… Deixe que alguém o faça por si.
Disse-me aquilo, enquanto fazia o seu trabalho e sem levantar a cabeça. Fiz o mesmo. Baixei também a minha cabeça e continuei folheando os papéis que precisava. Não lhe disse nada, nem me senti velho ou marginalizado por aquele comentário… A moça estava sendo sincera. Achava que eu já tinha dado muito na vida e precisava de descanso.
Entretanto, a vermelho e colado na parede, estavam umas letras que diziam: Se acham que merecemos, faça-nos um elogio.
Achei interessante aquele pedido. Habituado a lidar com as páginas amarelas, quase nem acreditava no que meus olhos viam…
Depois do prolongado interregno, botei palavra dizendo à moça:
Traga-me o livro dos elogios. Não escrevi um poema… mas deixei com agrado o meu reconhecimento, pela simpatia, pela vontade de servir e até pelo seu humanismo, ao sentir que eu merecia dar descanso à minha idade! Esta figura não é fictícia… Sim, fui eu mesmo! Aquele que estão habituados a ver contestar este ou aquele assunto, esta ou aquela entidade.
Confesso que não sinto nenhum prazer em contestar. Faço-o apenas quando a minha consciência me aconselha a fazê-lo em liberdade e sem remorso! Mas hoje vos digo, que vim de coração cheio! Ver os olhos da moça brilhando ao trazer-me o caderno, foi na verdade um momento enriquecedor para o peito e para a alma.
Por vezes generalizamos e, não damos o devido valor às coisas ou às atitudes. Assim como somos capazes de receber, também devemos ter a capacidade de nos entregarmos!
Fernando Mendonça
