
Os deputados municipais do CDS-PP optaram pela abstenção na votação do Orçamento da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo para 2026, considerando que o documento representa uma linha de continuidade e fica aquém das expectativas criadas junto da população, apesar de reconhecerem alguns aspetos positivos e de reiterarem preocupações com as acessibilidades aéreas da ilha Terceira.
De acordo com a nota de imprensa divulgada ontem, quinta-feira, 18 de dezembro, pelo Gabinete de Comunicação do CDS–PP/Açores, o Grupo Municipal do CDS-PP decidiu abster-se na votação do Orçamento municipal para 2026, entendendo que o documento apresentado não traduz a inovação prometida aos angrenses durante a campanha eleitoral.
Segundo os deputados municipais centristas, a abstenção foi uma opção assumida “numa postura construtiva e de respeito pela decisão democrática da maioria dos angrenses nas últimas eleições”, permitindo a viabilização dos documentos, mas sem deixar de sublinhar que estes “ficam aquém das expetativas”, por não evidenciarem “uma visão estratégica clara nem medidas verdadeiramente novas para o desenvolvimento do concelho”.
Ainda assim, o CDS-PP reconhece aspetos positivos no orçamento, destacando a continuidade da obra do Mercado Duque de Bragança, um projeto com mais de 15 anos, cuja concretização “sempre contou com o empenho deste partido”. São igualmente valorizadas a requalificação das habitações municipais e o início da construção de habitação a custos controlados, consideradas respostas necessárias às dificuldades sentidas por muitas famílias.
Os deputados municipais salientam também o aumento de 2% das verbas atribuídas às Juntas de Freguesia, embora defendam que o reforço financeiro deveria ter sido mais significativo, em respeito pelo papel de proximidade destas autarquias. É ainda sublinhada a inclusão da requalificação do Caminho da Ponta, em São Sebastião, e da criação do Centro Empresarial de Angra, propostas apresentadas pela coligação nas últimas eleições e agora integradas nos planos do município.
Na mesma sessão da Assembleia Municipal, os deputados do CDS-PP acompanharam o voto de protesto apresentado pelo Grupo Municipal do Partido Socialista relativamente à falta de acessibilidades para a ilha Terceira. Para o CDS-PP, é “urgente” reforçar as acessibilidades aéreas, uma reivindicação que consideram justa, estruturante e essencial para o futuro da ilha e do grupo central dos Açores.
Segundo a nota de imprensa, os deputados alertam que, há mais de uma década, os terceirenses enfrentam constrangimentos significativos no acesso a voos, com impactos económicos, sociais e empresariais, afetando a mobilidade dos residentes e a atratividade da ilha. Apesar de reconhecerem melhorias face ao período em que o Partido Socialista governou a Região, admitem que persistem limitações nas ligações aéreas.
O Grupo Municipal do CDS-PP sublinha que esta posição tem sido mantida de forma coerente, independentemente da cor política do Governo Regional, e que não visa privilégios face a outras ilhas, mas sim o reconhecimento do potencial e da capacidade instalada da Terceira. Destacam ainda o trabalho desenvolvido pela Vice-Presidência do Governo Regional, que tutela o Aeroporto das Lajes, considerando que, sem essa intervenção, a situação seria “muito pior”.
Apesar destes progressos, os deputados municipais criticam a estratégia da Visit Azores, acusando a entidade de prestar “um mau trabalho” aos terceirenses, com uma promoção turística que consideram muitas vezes ineficaz ou inexistente, comprometendo a captação de novas rotas aéreas. Apontam ainda uma orientação centralista herdada do tempo da ATA, que, no seu entender, contraria o espírito da Autonomia Regional.
Como exemplo, referem a disparidade nas ligações aéreas internacionais, lembrando que a ilha de São Miguel conta com a operação de 14 ou 15 companhias aéreas, enquanto a Terceira dispõe apenas de uma. O CDS-PP garante que estará particularmente atento ao Plano de Atividades da Visit Azores para 2026, de modo a verificar as ações previstas para a ilha.
O Grupo Municipal alerta também para a atuação da administração da SATA, acusando-a de prejudicar a Terceira com a supressão de voos externos e a sua substituição por ligações internas, em benefício de outros aeroportos da Região.
Para os deputados municipais do CDS-PP, defender acessibilidades dignas é defender o desenvolvimento económico, social e turístico da ilha Terceira, garantindo que esta continuará a ser uma prioridade política, “com responsabilidade institucional e firmeza política”, conclui a nota de imprensa.
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