OSVALDO SOUSA: “UM MANDATO CENTRADO NAS PESSOAS, NA IDENTIDADE E NO FUTURO DA FREGUESIA”

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia do Cabo da Praia sobre o mandato 2021–2025.

Neste ano de eleições autárquicas, agendadas para o próximo dia 12 de outubro, lançamos um olhar sobre o trabalho desenvolvido nas freguesias do concelho da Praia da Vitória ao longo do último quadriénio 2021-2025.

Com este objetivo, iremos apresentar entrevistas com os presidentes de Junta das 11 freguesias do concelho, utilizando o mesmo conjunto de perguntas. O propósito é promover a transparência, dar voz aos autarcas locais e proporcionar à população um balanço realista do que foi feito, dos desafios enfrentados e das aspirações para o futuro.

Ao longo desta série de entrevistas por escrito, publicadas por ordem de prontidão nas respostas, ficará disponível um retrato tão abrangente quanto possível da ação autárquica de proximidade, essencial para a qualidade de vida dos fregueses e para o desenvolvimento equilibrado de todo o nosso concelho da Praia da Vitória.


Nesta 4.ª entrevista desta série de entrevistas, o presidente da Junta de Freguesia do Cabo da Praia, Osvaldo Sousa, fala num mandato marcado pela proximidade com a população, pela valorização da identidade local e por uma gestão orientada para a melhoria da qualidade de vida. Sublinhando o papel das instituições locais como motores da vida comunitária, o presidente destaca o reforço dos apoios sociais, culturais e educativos, bem como o investimento em equipamentos e serviços essenciais, como a limpeza urbana e a modernização dos canais de comunicação da Junta.

Ao longo do mandato, Osvaldo Sousa refere que foram realizadas intervenções estruturantes que transformaram o espaço público e dinamizaram a freguesia, como a requalificação da Zona de Lazer e da Casa do Camponês – Núcleo Museológico e Quinta Pedagógica. Projetos como o campo de férias “Terra a Terra”, a decoração natalícia da freguesia e o Concurso de Maios são apontados como exemplos de iniciativas com impacto positivo e duradouro, que promovem a coesão social e a participação intergeracional.

O presidente reconhece que este mandato não esteve isento de desafios, especialmente ao nível orçamental e logístico, com dificuldades na obtenção de recursos humanos e técnicos. Ainda assim, através de uma gestão rigorosa e do empenho da equipa executiva, a Junta conseguiu manter todos os serviços a funcionar, apoiar as instituições locais e avançar com investimentos relevantes, sempre com equilíbrio financeiro e foco nas reais necessidades da população.

Em jeito de balanço, Osvaldo Sousa aponta para o futuro com determinação, sublinhando projetos que ficaram por concretizar, como a ampliação da zona de lazer, do cemitério e a criação de um Centro Sénior-Juvenil. Considera essencial continuar a trabalhar em prol da segurança rodoviária e do reforço dos laços comunitários. Para o presidente, o Cabo da Praia deve manter-se como um lugar onde vale a pena viver, crescer e envelhecer com dignidade — um objetivo que, segundo afirma, continuará a nortear o seu compromisso com a freguesia.

Quais considera serem os principais resultados e conquistas alcançados pela Junta de Freguesia ao longo deste mandato?

Ao longo deste mandato, a Junta de Freguesia do Cabo da Praia conseguiu consolidar uma política de proximidade e de gestão rigorosa, com resultados muito concretos para a população. Reforçámos os apoios às instituições, a nível social, cultural, educativa, recreativa ou outra de interesse para a freguesia, que são o verdadeiro motor da vida associativa da freguesia. Investimos fortemente na melhoria dos espaços públicos, com destaque para a modernização dos serviços de limpeza urbana e valorização ambiental, tornando os nossos espaços mais limpos, seguros e atrativos. Apostámos também na sustentabilidade da Praia da Riviera, e na preservação da identidade cultural, através da aquisição de equipamentos para eventos e da revitalização de espaços como a Casa do Camponês – Núcleo Museológico e Quinta Pedagógica. Paralelamente, avançámos com a modernização administrativa, criando novos canais digitais de atendimento e comunicação, aproximando ainda mais a Junta da população. Estes resultados demonstram um mandato centrado nas pessoas, na qualidade de vida, na valorização do nosso lugar e na construção de uma freguesia mais moderna, participativa e inclusiva.

Quais foram as obras ou intervenções mais relevantes realizadas na freguesia entre 2021 e 2025?

Entre 2021 e 2025, realizámos várias obras e intervenções relevantes na freguesia, com impacto direto na qualidade de vida da população e na valorização do território. Destaco, a requalificação do Parque de Lazer – Zona de Lazer da Freguesia, mas em particular, a obra que se encontra em construção, onde criámos um espaço figurativo que promove não só a identidade cultural local, mas também a prática de exercício físico ao ar livre, contribuindo para a saúde e o bem-estar da comunidade. Requalificámos também os espaços exteriores da Casa do Camponês – Núcleo Museológico e Quinta Pedagógica, melhorando a acessibilidade e as condições de uso, com destaque para a criação de zonas adequadas ao acolhimento de animais, espaço este que agora começa a ser muito procurado, por escolas, ATLs, escuteiros, instituições, associações, grupos e famílias para convívio. Por fim, avançámos com a preparação de um espaço destinado a apoiar e auxiliar as instituições e grupos locais, reforçando o nosso compromisso como delineado. Estas intervenções demonstram uma estratégia integrada de valorização dos nossos espaços e de apoio à freguesia.

Existem iniciativas ou projetos que se destacam por terem tido um impacto positivo duradouro na comunidade?

Sim, existem várias iniciativas que, ao longo do mandato, se têm destacado pelo impacto positivo e duradouro que geram na nossa comunidade. Um bom exemplo é a decoração de Natal da freguesia, que tem vindo a crescer de ano para ano com mais adereços, criando um espírito comunitário forte e valorizando o espaço público. Destaco também o Campo de Férias: “Terra a Terra”, que tem sido essencial para ocupar de forma educativa e divertida as crianças da freguesia e as de fora que durante o período em que o ATL do Cabo da Praia se encontra encerrado, oferecendo apoio às famílias e promovendo o convívio entre os mais novos. Além disso, realizámos atividades com as crianças da escola da freguesia, como a celebração do Dia da Criança, reforçando a ligação da Junta com a comunidade escolar. Temos também o Concurso de Maios, que ajuda a preservar uma tradição cultural muito própria da nossa freguesia, incentivando a criatividade e a participação intergeracional. Estas iniciativas, pela sua continuidade e envolvimento da população, têm deixado uma marca duradoura na freguesia, promovendo a identidade local, a coesão social e o bem-estar da comunidade.

Que dificuldades enfrentou ao longo do mandato, tanto a nível orçamental como logístico ou institucional?

Naturalmente, ao longo do mandato enfrentámos várias dificuldades, sobretudo a nível orçamental, devido à redução de receitas e ao aumento significativo dos custos operacionais. Estas limitações exigiram uma gestão muito rigorosa e cuidadosa dos recursos disponíveis, nos primeiros anos do mandato. A nível logístico, tivemos também constrangimentos, nomeadamente a falta de pessoal, meios e equipamentos, o que nos obrigou a recorrer à contratação de prestação de serviços para garantir o funcionamento regular da freguesia e a manutenção dos espaços públicos, uma vez que uma junta não tem orçamento para ter pessoal do quadro. Foi necessário proceder a uma reorganização interna e à otimização da gestão da Junta, para assegurar a resposta às necessidades da freguesia. Em termos institucionais, embora tenhamos mantido uma articulação positiva com a Câmara Municipal, sentimos, em algumas situações, a ausência de apoio efetivo, nomeadamente no que toca à cedência de recursos humanos ou equipamentos quando solicitados. Ainda assim, graças ao empenho dos meus colegas do executivo, Marco Andrade e Ana Paula Flores e à dedicação da Junta, conseguimos manter a freguesia funcional e ativa, com as respostas sociais a funcionar e os projetos a avançar, mesmo perante estas dificuldades.

Como tem sido a relação da Junta com a Câmara Municipal da Praia da Vitória e com outras entidades públicas? Houve cooperação eficaz?

A relação da Junta de Freguesia com a Câmara Municipal da Praia da Vitória foi, de forma geral, marcada por uma cooperação institucional construtiva. Desde o início do mandato, houve abertura para o diálogo e disponibilidade para a concretização de alguns projetos em parceria, o que permitiu avançar com iniciativas importantes para a freguesia. Naturalmente, nem todas as solicitações e apoios obtiveram resposta no tempo ou na forma desejada. Ainda assim, valorizamos a articulação que foi possível manter. Também mantivemos uma relação positiva com outras entidades públicas e as autoridades de proteção civil, com quem trabalhámos de forma eficaz. O nosso foco foi sempre manter uma postura de colaboração e diálogo, colocando os interesses da freguesia em primeiro lugar.

A Junta apostou em iniciativas nas áreas da ação social, cultura, desporto ou juventude? Pode dar exemplos concretos?

Sim, ao longo do mandato, a Junta apostou em várias iniciativas. No âmbito social, temos uma colaboração regular com o Grupo de São Vicente de Paulo da freguesia, com apoio financeiro anual que é direcionado para as várias situações de carência que o grupo acompanha. Na área cultural, organizámos a tradicional “Onda Cultural – Dia da Freguesia”, uma iniciativa que celebra a nossa identidade local. Além disso, promovemos um curso de violão gratuito, dinamizado nas instalações da Junta. Esta iniciativa tem como objetivo estimular o gosto pela música, valorizar a aprendizagem artística e proporcionar oportunidades de desenvolvimento pessoal e cultural, especialmente junto das camadas mais jovens da comunidade. Trabalhámos também com as escolas e o ATL da freguesia, promovendo atividades educativas e ambientais, e criámos o Campo de Férias “Terra a Terra”, pensado para ocupar as crianças no período em que o ATL se encontra encerrado, garantindo apoio às famílias e momentos de aprendizagem e diversão para os mais novos.

Que medidas foram implementadas para aproximar os cidadãos da Junta de Freguesia e promover a sua participação cívica?

Aproximar os cidadãos da Junta de Freguesia tem sido uma prioridade deste mandato. Apostámos fortemente na comunicação digital, com a modernização do site da Junta, o lançamento de uma aplicação móvel para atendimento e gestão de ocorrências, e o reforço nas redes sociais, permitindo uma comunicação mais direta, transparente e eficaz com a população. Além disso, promovemos a participação cívica através da escuta ativa das preocupações dos fregueses, tanto em reuniões informais como através da presença no terreno. Também incentivámos a colaboração da comunidade em atividades culturais, ambientais e sociais, como o concurso de Maios, e outras ações de sensibilização de limpeza da orla costeira e da ribeira de Santa Catarina que envolvem voluntariado local. Estas medidas ajudaram a criar um maior sentimento de pertença e a fortalecer os laços entre a Junta e os habitantes.

A freguesia tem conseguido dar resposta às necessidades dos mais jovens, dos idosos e das famílias em situação vulnerável?

Sim, dentro dos meios disponíveis, a Junta de Freguesia tem procurado responder às necessidades dos diferentes grupos da comunidade. No caso dos mais jovens, promovemos atividades educativas, culturais e recreativas, como o campo de férias “Terra à Terra”, o curso de violão e a colaboração com a escola local e o ATL. Para os idosos e famílias mais vulneráveis, apoiamos anualmente o Grupo de São Vicente de Paulo da freguesia com verbas destinadas a ajudar nas situações de maior carência. Apesar dos desafios orçamentais, temos feito um esforço contínuo para garantir respostas sociais, culturais e de proximidade que contribuam para o bem-estar e coesão da comunidade.

Qual é o estado atual das finanças da Junta? Considera que a gestão orçamental foi equilibrada e sustentável?

Posso afirmar que a Junta de Freguesia se encontra atualmente com uma situação financeira estável e sustentável. Ao longo do mandato, foi mantida uma gestão orçamental rigorosa e responsável, permitindo não só assegurar o funcionamento regular da autarquia, como também concretizar diversos investimentos relevantes para a freguesia, como a aquisição de Viatura Ligeira de Mercadorias, Varredora Urbana, Máquina de Limpeza de Praias, a requalificação da Zona de Lazer – Parque de Infantil, a modernização da Casa do Camponês – Quinta Pedagógica, a aquisição de novos equipamentos culturais e educativos, e o apoio a iniciativas sociais, culturais e desportivas. Estes investimentos foram feitos com equilíbrio, sem comprometer as finanças da Junta, e sempre com o objetivo de responder às reais necessidades da população, garantindo a sua continuidade e impacto a médio e longo prazo.

Há projetos que ficaram por realizar neste mandato e que considera prioritários para o futuro da freguesia?

Sim, existem projetos que, por limitações orçamentais, atrasos administrativos ou falta de autorizações, não foi possível concretizar durante este mandato, mas que consideramos prioritários para o futuro da freguesia. Destaco, em primeiro lugar, a ampliação do Edifício de Apoio – Sala Multiusos, na Zona de Lazer – Parque Infantil, esta intervenção tornar-se-á essencial devido à crescente procura do espaço, sendo necessário garantir melhores condições para a sua utilização e criar um armazém funcional ao serviço da Junta. Está também em curso a aquisição de um terreno adjacente à zona de lazer, com o objetivo de permitir a expansão e valorização futura deste espaço comunitário, tão importante para o convívio e bem-estar da população. Entre as prioridades destaca-se ainda a ampliação do Cemitério da Freguesia, uma necessidade identificada há já algum tempo, dada a limitação de espaço existente. A Junta tem vindo a desenvolver diligências junto das entidades competentes, no sentido de viabilizar esta intervenção, essencial para garantir condições dignas e respeitosas para todas as famílias da nossa comunidade.

Acresce a preocupação, ainda não resolvida, com a velocidade excessiva na estrada EN1-2A (Caminho do Meio), que atravessa zonas residenciais da freguesia. Apesar das várias diligências efetuadas pela Junta junto das entidades responsáveis, não obtivemos até ao momento qualquer resposta concreta. Continuamos a alertar para a perigosidade desta situação, especialmente para crianças e idosos, e a sugerir medidas como passadeiras elevadas, redutores de velocidade e reforço da sinalização. Outra ambição que queremos concretizar é a criação de um novo espaço multifuncional – Centro Sénior-Juvenil, destinado a acolher um Centro Ocupacional para Pessoas Idosas, atividades para jovens e áreas de apoio às coletividades locais. Trata-se de um projeto com forte impacto social e intergeracional, que poderá dinamizar a vida comunitária da freguesia.

Esperamos que, num próximo mandato, possamos finalmente avançar com estes projetos estruturantes, que são fundamentais para responder às necessidades sociais, de mobilidade e de dignidade comunitária, garantindo um futuro mais seguro, inclusivo e preparado para os desafios da freguesia do Cabo da Praia.

Na sua visão, quais os desafios e oportunidades que a freguesia deve vencer nos próximos quatro anos?

Nos próximos quatro anos, a freguesia enfrenta o desafio de continuar a modernizar os seus serviços e infraestruturas, garantindo uma resposta eficaz às necessidades de uma população diversificada, que inclui crianças, jovens, idosos e famílias em situação vulnerável. A sustentabilidade financeira será outro desafio permanente, especialmente num contexto de aumento de custos operacionais e limitações orçamentais. Por outro lado, vemos oportunidades claras, como o reforço da participação cívica, a valorização do património cultural e natural da freguesia e o desenvolvimento de novos projetos comunitários, como o Centro Sénior-Juvenil. A dinamização da Zona de Lazer – Parque Infantil e da Casa do Camponês, a aposta contínua na ação social, na cultura e na juventude, bem como a captação de fundos e parcerias externas, serão cruciais para garantir um desenvolvimento mais coeso e sustentável da freguesia.

Por fim, que mensagem gostaria de deixar aos fregueses do Cabo da Praia no final deste mandato autárquico?

Quero, de coração, agradecer a todos os fregueses do Cabo da Praia pela confiança, pela colaboração e pelo espírito de entreajuda e união demonstrados ao longo deste mandato. Foram anos de trabalho sério, de proximidade, de escuta ativa e de dedicação total à nossa terra. Cada projeto concretizado, cada iniciativa lançada e cada dificuldade superada teve como base o compromisso com a nossa gente e com as nossas raízes.

É com orgulho imenso que sirvo esta freguesia, é um privilégio ser Cabo Praiense e trabalhar todos os dias para manter viva a nossa identidade, as nossas tradições e a força da nossa comunidade. Agradeço a todos os que se envolvem, participam, sugerem e colaboram, porque o verdadeiro motor da freguesia são as suas pessoas.

Seguiremos com o mesmo empenho e dedicação, com alegria e esperança no futuro, para que o Cabo da Praia continue a ser um lugar onde vale a pena viver, crescer e envelhecer com dignidade. Contem sempre connosco, porque juntos somos mais fortes.

© PE