ELEIÇÕES REGIONAIS E PARA A REPÚBLICA

Não sou analista político, nem sequer simples principiante, mas gosto de estar minimamente informado, sobre o que se passa no meu país, nomeadamente nos Açores, que são meu berço e minha Região.

Por isso mesmo, dei uma volta por alguns jornais, procurando colher algumas opiniões sobre as eleições realizadas no passado Domingo, na Região Autónoma dos Açores. Do que colhi ou verifiquei, acabei concluindo que para além da fragilidade da nossa Autonomia económico/financeira, também estamos muito subtraídos da autonomia política… De momento agravada com o facto de termos tido eleições um pouco antes das nacionais, as quais queiramos quer não, acabam condicionando as tomadas de decisão dos decisores políticos da região, no caso concreto do Partido Social Democrata, do GHEGA e do Partido Socialista, principal opositor da coligação, a qual mesmo com maioria relativa se propõe governar a Região. E isto porque, tudo tem de ser feito por cá, de modo a não afetar, o que há de ser feito por lá… Não esqueçamos os recados que mesmo nas entrelinhas, foram deixados pelos Secretários Gerais dos partidos nacionais, desde a esquerda à direita, no próprio dia das eleições…

Conclui-se por isso, que para além da decisão a tomar pelo Representante da República em dar posse à Coligação, depois de ouvidos todos os partidos, muita coisa só vai acontecer, após as eleições para a República no dia 10 de Março. Até lá, esperemos para ver, pois muita tinta vai correr!

Dizia eu, quando há poucos dias escrevia esta crónica, que muita coisa só ia acontecer, após as eleições para a Republica. Pois parece-me ter errado no meu raciocínio, mesmo após a entrevista à RTP3 de José Manuel Bolieiro, candidato a Presidente do Governo, apelando ou quase convidando o Partido Socialista a usar o bom senso, deixando a coligação governar, isto claramente na intenção de afastar o CHEGA da governabilidade, o qual como já várias vezes afirmou, só apoia Bolieiro se fizer parte da governação, requerendo ainda a não presença no Governo dos dois parceiros da coligação, Artur Lima e Paulo Estevão…

Entretanto o Partido Socialista, após reunir a sua direção, alterou todo o cenário político que alguns previam, anunciando a sua indisponibilidade para apoiar este governo, considerando ser o seu papel, de principal partido da oposição e não de bengala do Governo minoritário da coligação. “Foram estas as palavras de Vasco Cordeiro.” Recordando ainda, que quando em 2020 ganhou as eleições, toda a direita, incluindo o CHEGA, se juntou para o arredar da governação.

Perante esse novo cenário, pelo qual talvez o CHEGA não esperava que acontecesse tão rápido, aguardemos novos capítulos desta novela, que tal como dizia antes, ainda vai fazer correr muita tinta…

Embora queiram fazer crer que não, continuo afirmando que tudo tem de ser feito por cá, de modo a não afetar, o que há de ser feito por lá, consoante os interesses dos líderes políticos nacionais e os resultados do dia 10 de Março.

Fernando Mendonça

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