
Iniciada a sua construção em 1928, o Farol das Contendas, na Vila de São Sebastião, foi inaugurado e entrou ao serviço da navegação marítima e aérea a 01 de fevereiro de 1934.
A sua edificação aparece em “contraponto” com o Plano Geral de Alumiamento Nacional aprovado em 1883, que prevê a instalação de um farol na Ponta de São Jorge. Porém, uma Comissão, em 1902, defendeu em parecer, que a parte mais frequentada pela navegação, desde o Monte Brasil até à Ponta da Serreta, ficava obscurecida, por isso, julgava-se mais conveniente a instalação do farol na Ponta das Contendas.
O parecer fez “ciência” e, em 1926, foi comprado o terreno para a edificação do farol por mil e quinhentos escudos insulares — mil e duzentos escudos da moeda continental. A obra ficou a cargo do mestre-de-obras Sr. António Tomaz que já tinha dirigido a construção de outros faróis. A construção fez-se com cantaria dos fortes existentes nas zonas chamadas caninas, sendo o material transportado em carros de bois, incluindo a areia tirada da baía das caninas e a água vinda da fonte da Vila de São Sebastião.
Foi inicialmente equipado com um aparelho lenticular, dióptrico catadióptrico girante de 3ª ordem, grande modelo (500 mm distância focal), sendo a fonte luminosa a incandescência pelo vapor de petróleo, ficando como reserva um candeeiro de cinco torcidas de nível constante. A rotação da ótica era produzida através da máquina de relojoaria e o alcance luminoso era de 20 milhas. A lanterna tinha cúpula de vidro para lhe dar a característica de aeromarítimo.
Em 1957 foi construída a casa das máquinas, vindo o farol a ser eletrificado através de grupos eletrogéneos em 1958. A fonte luminosa passou a ser uma lâmpada de 3.000 W, ficando a incandescência a petróleo como reserva.
Mais tarde, em 1964, foi inaugurada a estrada que dá acesso ao farol, comparticipando a Direção de Faróis nas obras com a quantia de 50 mil escudos. Neste mesmo ano o farol foi ligado à rede pública de abastecimento de água.
A potência da fonte luminosa foi reduzida com a instalação de uma lâmpada de 1000W 120V em 1983. E em 1985 foram introduzidos dois sectores de luz vermelha para dar resguardo às zonas mais perigosas, incluindo as proximidades dos ilhéus dos Fradinhos.
O farol foi eletrificado em 1998 com a ligação à rede elétrica de distribuição pública. Está automatizado com o sistema modelo DF.
Oitenta e sete anos após o seu estabelecimento, o Farol das Contentas continua a sua relevante missão de orientação da navegação marítima e aérea, não obstante, todo o desenvolvimento científico e tecnológico dos nossos dias. Paralelamente, o Farol das Contentas apresenta-se como um local de visitação turística de enorme procura. Dados da Autoridade Marítima Nacional, indicam que em 2018, o farol foi visitado por 102.613 pessoas.
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