UNIÃO DE MISERICÓRDIAS DOS AÇORES PEDE DESCONVOCAÇÃO DE GREVE “DESPROPORCIONAL”

A União Regional de Misericórdias dos Açores (URMA) considerou “desproporcional” o pré-aviso de greve anunciado pelo SINTAP e pediu a sua desconvocação, alegando que os aumentos salariais reivindicados são “desligados da realidade”.

“Quando nenhuma Misericórdia recorreu ao ‘lay-off’, mas sim reforçou recursos humanos, quando existe uma enorme dificuldade financeira para garantir, a devido tempo, a massa salarial e custos complementares é, de todo, desproporcional a declaração de pré-aviso de greve, pelo que a URMA solicita a realização de uma reunião, com caráter de urgência, ao mesmo tempo que apela a que seja desconvocado o pré-aviso de greve”, afirmou o presidente da URMA, Bento Barcelos.

A declaração consta de uma carta enviada ao sindicato, datada do dia 19 de outubro, e divulgada esta terça-feira à comunicação social.

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP) dos Açores lançou em 12 de outubro um pré-aviso de greve para os dias 28 e 29 de outubro e 02 e 03 de dezembro, em forma de protesto pelos aumentos propostos pela URMA e pela União Regional das Instituições Particulares de Solidariedade Social dos Açores (URIPSSA), que não vão além de 01%.

O sindicato anunciou hoje que a greve vai avançar “em virtude de não haver, até ao presente, quaisquer contrapropostas concretas por parte da URMA e da URIPSSA, que permitam a abertura de um verdadeiro e consequente processo negocial”.

Na carta hoje tornada pública, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, que lidera a URMA, disse ter tomado conhecimento da intenção de greve com “a maior indignação”.

Bento Barcelos lembrou que “não se verificou ainda a atualização do financiamento das valências contratualizadas em sede de revisão do Acordo Base para 2021 e 2022”, estando as Misericórdias a aguardar “a realização do processo negocial com a vice-presidência e Secretaria Regional da Saúde e Desporto”.

Por isso, disse, “não estiveram reunidas as condições para o diálogo sindical efetivo”, considerando “desligados da realidade” os documentos enviados pelo sindicato, com propostas de “aumentos salariais e diuturnidades em 3%”.

O presidente da URMA salientou, por outro lado, que as Misericórdias dos Açores “desenvolveram trabalho muito exigente”, no âmbito da revisão integral do contrato coletivo de trabalho, em 2021.

Segundo Bento Barcelos, o contrato coletivo de trabalho, que não era atualizado desde 2007, criou “novas carreiras, como a do cuidador social”, e integrou novos requisitos de ingresso e progressão, “permitindo um mais rápido acesso aos escalões remuneratórios superiores, como são os caos dos profissionais de enfermagem e reabilitação”.

O provedor sublinhou ainda que essa revisão incluiu “uma atualização remuneratória excecional de 50 euros mensais para os profissionais de enfermagem e reabilitação”, que se pretende alargar a outros quadros superiores.

 “Importa remunerar com justiça os trabalhadores que viram os seus vencimentos esmagados com os aumentos anuais e sucessivos do salário mínimo”, acrescentou.

Bento Barcelos disse também que, “nos últimos anos, não houve a atualização de financiamento público, através dos valores padrão, que mitigasse os aumentos anuais elevados do salário mínimo regional”, o que gerou “um impacto financeiro, que, no global das Misericórdias, ultrapassa os 1,2 milhões de euros”.

“Mesmo assim, as Misericórdias, algumas recorrendo à banca e a património próprio, nunca deixaram de cumprir com as suas obrigações em massa salarial e corresponderam sempre a propostas sindicais para atualizar as remunerações dos trabalhadores”, frisou.

O presidente da URMA garantiu que “as Misericórdias respeitam indiscutivelmente a liberdade e o direito à greve”, desde que sejam “cuidadosamente respeitados os serviços mínimos a que têm direito os utentes”.

Existem 23 Misericórdias nos Açores, que prestam serviços a cerca de 9.500 utentes e empregam cerca de 2.100 profissionais.

O SINTAP/Açores reivindica um aumento salarial para estes trabalhadores de pelo menos 2,5%.

O sindicato acusou esta terça-feira IPSS e Misericórdias de tentarem “desmobilizar” os trabalhadores da greve, com informações “falaciosas”, e de pressionarem os trabalhadores “para comunicarem previamente se vão ou não fazer greve”.

© Lusa | Foto: DR | PE

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s