O POPULISMO ATLÂNTICO

Mário Rui Pacheco

A extrema-direita e a direita açoriana planeiam o tombo do regime socialista!

No passado dia 25 de outubro, os açorianos e açorianas foram chamados à plenitude do direito ao voto adquirido a 25 de abril de 1975. Facto é que, a participação açoriana foi mais expressiva neste ato eleitoral, indicador este que se pode reter pela menor taxa de abstenção, ainda que a notoriedade da mesma tenha sido ofuscada pelos resultados da noite.

Este ato eleitoral foi diferente. Seja, porque surgiram novas forças partidárias ou pelos novos métodos de atuação política, facto é que muitas vozes se levantaram em protesto ao regime socialista existente na região. Contudo, este mês de Outubro do distinto ano de 2020, ficará na história da Região Autónoma dos Açores. A queda do regime (totalitário), ou melhor, a queda do exercício megalómano e imperativo do poder político do partido socialista, definitivamente deixará marca. Foram 20 anos de poder na Região Autónoma dos Açores, que geraram uma “clientela” do sistema político regional, sendo certo que, esta foi ao longo destes últimos 20 anos suficiente para suster este poder político.

Após os resultados eleitorais do passado domingo, muitos foram os holofotes que se ergueram. De facto, basta observar os que se definem como de direita, a saltar de ilha em ilha e até mesmo pela capital do império, no intuito de atrair os parceiros políticos para formar uma espécie de “geringonça” à direta. E isto é de se verificar, mesmo após a nega da extrema-direita na própria noite eleitoral, não fazendo de todo parar o PSD-Açores, que só nos faz concluir pelo seu total desnorte governativo.

José Manuel Bolieiro, líder do PSD-Açores, anunciou estar disponível para formar governo. No entanto, o que é oculto é que este facto só ocorre se os deputados da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, “alinharem” neste caminho para a região. O PSD-Açores, para poder formar uma coligação anseia o apoio do CDS-Açores, do Chega Açores que é mais o “nacional”, do Iniciativa Liberal-Açores e do PPM, no entanto fica a pertinente interrogação retórica- quão elementares serão as contrapartidas exigidas por estes partidos?

O Chega de André Ventura, elegeu dois deputados na região que em nada demonstram ter voz no partido e na região, isto porque, desde o início da pré-campanha regional a cara do partido foi sempre a do líder nacional do partido. Não lhes valeu nenhum Furtado, ainda que da direita viesse. Esta possível coligação será vantajosa unicamente para o partido “laranja”, que não permitirá espaço aos dirigentes do Chega, porque os sucessivos ataques do PSD nacional ao mesmo criam desta forma uma barreira.

A região mais do que nunca necessita de políticos e essencialmente de políticas que se prendam com as exigências, económicas, sociais e ambientais. Os próximos tempos serão decisivos para a construção de uma estratégia regional, para a sustentabilidade ambiental e económica, e existirá uma enorme probabilidade de um notório destaque por parte da região neste sentido. Destaque este que só pode ser realizado com melhores políticas na região. Uma enorme fatia das quantias monetários que a região irá receber da UE, terão de ser implementados no desenvolvimento da região, para o futuro sustentável da economia regional. Sustentável não só no sentido lato da palavra, mas na sua componente prática na vida dos açorianos.

O PS-Açores, foi o partido que venceu as eleições no passado domingo. Deste modo, é e só pode ser o partido indicado para governar nesta legislatura com o devido apoio parlamentar de outros partidos que se baseiem na política de esquerda. É um facto que a maioria absoluta asfixiava o processo político da região, mas com a nova realidade, de todo, o mesmo irá ocorrer. Por esta linha de ideias, o partido socialista terá́ de apresentar ponto a ponto aos parceiros políticos da assembleia regional as suas opções e ideias.

Tendo tudo o supra exposto em linha de conta, digo não ao populismo instalado na região, não obstante impor um respeito pelo PSD-Açores, porém na política não tem que valer tudo para chegar ao poder!

Mário Rui Pacheco
Empresário; Economista; Estudante de MCEE em Economia e Políticas Públicas na UAC.

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